Leia a análise do Seminário Unificado das Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo no artigo da diretora de Movimentos Sociais da UNE, Gliciane Morais:
Na última segunda-feira, dia 05 de Fevereiro de 2024, ocorreu na capital de São Paulo, no espaço Elza Soares, o primeiro Seminário Unificado das Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo. O encontro contou com a participação de mais de cem movimentos sociais brasileiros, entre eles UNE, MST, MTST, CUT, CTB, MNU, CNTE e estiveram presentes cerca de 250 pessoas de forma presencial e cerca de 100 pessoas de forma virtual. Mostrando ,dessa forma, a alta capacidade de articulação política, capilaridade e discussão dos movimentos populares frente às deliberações do norte das lutas do próximo período.
Assim, com a diversidade do movimento social reunido foi possível realizar um balanço do que foi o primeiro ano do Governo Lula e construir em unidade perspectivas para atuação dos movimentos populares – tendo em vista a ampla diversidade dos movimentos, a presença ainda muito forte da extrema direita na sociedade e no Congresso Nacional e o ano de eleições municipais – um calendário de mobilizações unitário que pautará as mudanças estruturais que nosso país precisa.
Algumas datas de mobilizações unificadas que compõe esse calendário: o Dia Internacional da Mulher, as Jornadas de Lutas pela Educação, a Marcha pela Reforma Agrária, o Dia do Trabalhador, a Cúpula Rio 2024, entre outras.
A aliança das Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo em 2018 surgiu como necessidade histórica , fortalecendo a resistência a um projeto obscurantista e de morte que se sucederia com a chegada de um neofascista no poder. A União Nacional dos Estudantes, junto ao arranjo dos movimentos populares, foram responsáveis pelas grandes mobilizações de massas em defesa da democracia e pela derrota eleitoral de Bolsonaro. Fomos nós, estudantes e movimento social organizado, que pautamos a luta contra o neoliberalismo, em defesa da vida e da educação.
Não nos resta dúvidas de que vencemos o genocída nas urnas e elegemos um governo democrático e progressista, contudo, ainda é preciso muita unidade para avançar na implementação das transformações estruturantes para a construção do novo projeto de Brasil que queremos.
Para varrer o bolsonarismo das ruas, é preciso disputar ideologicamente a sociedade. As universidades têm papel fulcral na construção desse plano de país que esteja alinhado aos interesses da classe trabalhadora, um país soberano com alta capacidade produtiva, um país livre da fome e da miséria, e, sobretudo, livre dos ideais neofascistas que estão entranhados em parte da população brasileira, fruto da nefasta ofensiva da extrema direita no mundo, e no Brasil representado pela política de morte de Jair Messias Bolsonaro.
É preciso seguir pedindo prisão para Bolsonaro e todos que atentaram contra o Estado democrático, mas não apenas, também precisamos falar sobre a taxação das grandes fortunas e disputar a política fiscal do atual governo, sobretudo, sobre os investimentos sociais e na educação. Grandes são os nossos desafios, por isso, a luta por transformação e por justiça social não deve ser pulverizada!
O Movimento Social Brasileiro ganha muito ao realizar o Seminário das Frentes, no qual puderam caminhar rumo à construção de um Calendário Nacional Unificado de Lutas, discutir as pautas que nos aglutinam, pensar estratégias de disputa da sociedade, seja a partir de métodos já utilizados, seja na sua inovação. Seguiremos de mãos dadas rumo à reconstrução do país, contra a extrema direita e contra qualquer ataque à nossa democracia. Venceremos!
*Gliciane Morais é diretora de Movimentos Sociais da UNE.