O termo fascismo tem tomado conta das redes sociais e dos noticiários do mundo após a escalada autoritária que se viu principalmente no Brasil e nos EUA.

Aqui apoiadores do governo Bolsonaro realizaram uma marcha no último sábado (30) que terminou em frente ao STF em Brasília, exaltando a ditadura e pedindo o fim da suprema corte, incitando até mesmo violência contra os ministros e empunhando tochas de fogo claramente inspirados na Ku Klux Klã, seita de extremistas norte-americanos que defendem a supremacia branca que perseguiu e exterminou milhares de pessoas negras desde o século 19.

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Nos EUA durante a onda de protestos contra a polícia racista que assassinou o afro-americano George Floyd na cidade de Minneapolis no Centro-Oeste do país, o presidente Ronald Trump acusou grupos antiFA, como são denominados movimentos anti-fascistas de espalhar violência e vandalismo pelo país e ameaçou enquadrá-los como terroristas.

O filósofo Umberto Eco em uma conferência em 1995 explicou a ideologia política que chamou de “O Fascismo Eterno” e ressaltou que o racismo está na essência fascista. Segundo Eco, com medo da diferença, o fascismo a explora e potencializa em nome da busca e da imposição do consenso. Os e as diferentes não são bem vindos. Por isso, o fascismo eterno é essencialmente racista e xenofóbico. Daí a identificar os diferentes como criminosos a linha é reta.

Mas você sabe exatamente o que é o fascismo?

Segundo o filósofo Vladimir Safatle a partir de quatro elementos podemos identificar claramente um discurso fascista. São eles:

O culto da violência: através da força individual, falar o que quiser, ele oferece uma certa forma de verdade, uma vampirização da revolta, uma anarquia bruta, a liberação da violência por aqueles que tendem a brutalizar toda e qualquer relação social.

A ressurreição do Estado-Nação em sua versão paranoica: ele se mostra como último refúgio do que é meu, essa comunidade nacional é o avesso do comum, ela é apenas a figura largada de uma propriedade que aparece com expressão do medo no aspecto político central.

A insensibilidade absoluta à violência com as classes vulneráveis: a implosão da possibilidade de uma solidariedade genérica, essa insensibilidade expressa um desejo inconfesso de que as estruturas de visibilidade da vida social não sejam transformadas.

A deposição da força popular em prol da liderança fora-da-lei: ele é a colonização anti-institucional pela própria ordem. Esse desejo quando ele realmente liberado poderia criar poderes que voltam as mãos do povo, só que o fascismo faz dessa anti-institucionalidade um clamor pela mão forte do governo que expressa uma liderança que parece estar acima da lei, que parece expor seus piores sentimentos sem culpa ou preocupação alguma com seus efeitos, que demonstra seu desejo mais baixo de violência como expressão de uma liberdade conquistada.

UNE: 82 anos na luta antifascista

A UNE nasceu da união dos estudantes contra o integralismo: uma expressão do fascismo no Brasil já em 1937. O integralismo foi um partido e movimento político surgido no Brasil na década de 1930, influenciado pelos ideais e práticas fascistas que se desenvolveram na Europa após o fim da I Guerra Mundial. A doutrina de extrema direita pregava o ultranacionalismo, conservadorismo e a defesa dos valores cristãos.

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