Estudantes participam da 76ª Reunião Anual da entidade onde aprovaram também uma moção pelos 10% do PIB para a educação
A UNE está  na 76ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que acontece até o dia 13/7 na Universidade Federal do Pará (UFPA). O evento reúne pesquisadores, estudantes, professores, profissionais diversos e cidadãos em geral, interessados em discutir ou conhecer os resultados mais recentes da pesquisa científica, expor trabalhos científicos, debater as políticas de CT&I e propor metas estratégicas para o progresso da ciência no Brasil.
A entidade apresentou uma carta que pede apoio à SBPC para a criação da Universidade de Integração Amazônica, reivindicação apresentada ao presidente Lula, no último Congresso da UNE, realizado em julho do ano passado, em Brasília (DF).  “Em meio a tantos debates sobre a região amazônica precisamos garantir que a ciência lidere esse debate e que a proteção e o desenvolvimento da Amazônia seja fundamental para o combate às mudanças climáticas”, diz trecho do documento.  Para a UNE, As universidades e institutos federais dos 9 estados do Brasil que fazem parte da Amazônia, bem como as instituições de pesquisa e tecnologia dos 5 países vizinhos que também fazem parte do território Amazônico serão peças fundamentais para estruturar esse projeto de cooperação, preservação, mobilidade e fortalecimento da nossa região.

Presidenta da UNE fala durante a 76º Reunião Anual da SBPC

A UNE também defendeu o orçamento para a educação durante o evento. “Conseguimos aprovar uma moção de defesa dos 10% do PIB para a educação como um todo”, conta a presidenta da UNE, Manuella Mirella. Ela explica que no novo Plano Nacional de Educação em análise na Câmara dos Deputados, a questão do investimento dos 10% do PIB para a educação está na seção de financiamento e estruturação da educação básica e por isso a preocupação em manutenção dessa meta para os demais setores da educação pública também. 
Confira os documentos aprovados: 
Moção orçamento para as universidades é investimento, não é gasto 

O último PNE não cumpriu uma de suas metas centrais, os 10% do PIB para a educação, conquista do movimento estudantil, social e educacional. Agora com o projeto do novo PNE enviado ao Congresso Nacional precisamos garantir para além de manutenção da meta a nossa busca pelo seu cumprimento. Defendemos o investimento de 10% do PIB para a educação como um todo desde o ensino básico até a pós graduação. Para garantir um projeto estruturante de educação é necessário urgentemente a garantia de orçamento e investimentos.

Estande da UNE na 76º Reunião Anual da SBPC

CARTA ABERTA À DIRETORIA DA SBPC POR UMA UNIVERSIDADE DE INTEGRAÇÃO AMAZÔNICA
Nas últimas décadas, a Amazônia tem dominado o debate ambiental internacional. O Brasil, que era referência nos espaços internacionais sobre o tema do meio ambiente, desde a Eco 92 no Rio de Janeiro, se transformou em uma pauta internacional. O ponto de virada foi o governo Bolsonaro, que negou a ciência e educação, fechou os olhos para as queimadas, negligenciou o avanço do desmatamento e contribuiu para o crescimento do genocídio indígena e acentuou o racismo ambiental. Além de atacar as universidades, a ciência, os estudantes e a educação brasileira. 
É urgente que o Brasil reconstrua sua política de proteção e desenvolvimento da Amazônia, mas, para que isso seja algo enraizado no projeto do Estado brasileiro, é necessário projetar políticas estratégicas que cumpram com nossas tarefas de proteção, desenvolvimento e soberania da nossa região que, mesmo detendo a maior parte da Amazônia, é compartilhada com os nossos países vizinhos. Atualmente, podemos identificar duas abordagens majoritárias sobre o tema da Amazônia: a primeira, ideologicamente liberal, está concentrada em uma perspectiva de metas e diretrizes impostas sob uma epistemologia do centro para a periferia; a segunda, por sua vez, se baseia em uma abordagem militar, ancorada em um viés voltado para segurança e uma linha belicista, que representa uma movimentação perigosa que pode levar ao abandono total de nossas pautas e ao aumento das bases militares na região. 
A proteção e o desenvolvimento da população da região e da Amazônia se soma a outra tarefa imprescindível: a integração regional desse importante território. Para se alcançar a verdadeira integração da América Latina e Caribe, devemos começar por uma política forte e complexa, a partir de uma epistemologia própria, que tenha como objetivo a defesa da nossa soberania e biodiversidade. 
Com isso em mente, defendemos a criação de uma Universidade da Integração Amazônica, uma universidade temática e internacional como a principal ferramenta para a construção dessa política, a partir do fomento de educação, pesquisa, ciência e tecnologias voltadas para a biodiversidade da Floresta Amazônica e a inclusão e participação dos povos inseridos nela e vizinhos. 
Se avançarmos em compreender que há um elo fundamental entre riquezas naturais e a ciência e tecnologia, poderemos guiar importantes saltos tecnológicos para o desenvolvimento da humanidade. A Universidade da Integração Amazônica com caráter internacional poderia fortalecer o avanço da integração regional dos povos amazônicos, que estão espalhados pelos territórios da Colômbia, Venezuela, Equador, Brasil, Bolívia, Guiana, Peru, Suriname e Guiana Francesa. O tema já é debate entre estudantes latino-americanos. A defesa da integração regional e soberania por meio da Universidade da Integração Amazônica foi aprovada na reunião do secretariado geral da OCLAE (Organização Caribenha e Latino-Americana de Estudantes) – organização representante de 38 entidades estudantis da região, que ocorreu em abril de 2023, em Bogotá. 
O primeiro passo fundamental seria a interligação das universidades da região, avançando no tema da cooperação regional a partir das universidades existentes. Criar um programa de mobilidade regional para estudantes, pesquisadores e professores do ensino superior, na teoria e prática, é determinante para a integração regional. Entre os debates e desafios devemos apostar na criatividade perante à urgência de futuro, que deve sobrepor dualidades limitadas e priorizar a criação de empregos, renda e sustentabilidade na região. Para isso, o caminho, mais uma vez, deve ser o investimento em ciência e tecnologia para criar soluções para o futuro da América Latina. Aos nossos desafios, devemos apresentar nossas respostas. 
Nós, estudantes, de norte a sul do Brasil com ênfase nos amazônicos apostamos e queremos construir a criação de uma Universidade da Integração Amazônica, com massivo investimento em ciência e tecnologia do Brasil, que detém maior parte da amazônia, e que lidere o processo de desenvolvimento da região. Essa região é uma das principais riquezas e patrimônios do Brasil, na Amazônia encontramos desde remédios ancestrais a formas de habitação e cotidiano. Os ribeirinhos, indígenas e quilombolas já foram ao longo da história objetos de pesquisa, agora nós reivindicamos o sujeito. Queremos ser consultados e dar opinião sobre o processo de desenvolvimento e utilização da região, impactos, adaptações e resultados. Temos muito a avançar, seguiremos na defesa, fortalecimento e cooperação da região amazônica. A universidade de integração é central para desenvolvimento, superação e reparação das universidades no Sul global e no mundo. 
Por isso, solicitamos a SBPC: 
– O apoio e a participação na condução desse debate e deste projeto junto à UNE e demais parceiros; 
– Reforçar a importância da criação da universidade de integração amazônica para desenvolvimento de toda população da região;
 – Construir o debate com as universidades e institutos federais dos 9 estados do Brasil que fazem parte da Amazônia, bem como as instituições de pesquisa e tecnologia dos 5 países vizinhos que também fazem parte do território Amazônico como peças fundamentais para estruturar esse projeto de cooperação, preservação, mobilidade e fortalecimento da nossa região. 
Em meio a tantos debates sobre a região amazônica precisamos garantir que a que a ciência lidere esse debate e que a proteção e o desenvolvimento da Amazônia seja fundamental para o combate às mudanças climáticas.