Documento assinado por entidades da sociedade civil defende reindustrialização, soberania nacional e reforma do sistema de Justiça
A União Nacional dos Estudantes (UNE) lançou nesta quarta-feira (16), no Salão Nobre da Sanfran, a Faculdade de Direito da USP, o manifesto “Por um Novo Ciclo de Transformações no Brasil”. O documento reúne assinaturas de entidades do movimento social e de intelectuais em defesa da democracia e de reformas estruturantes para o país.
Para a presidenta da UNE, Bianca Borges, o lançamento expressa uma tradição da entidade. Ao longo de sua história, a UNE esteve em debates nacionais decisivos, da defesa da democracia à luta pela soberania e pela educação, e o manifesto busca reafirmar esse papel propositivo do movimento estudantil, que segundo ela não deve se limitar a reagir aos problemas do presente.
“A UNE quer ajudar a recolocar uma pergunta no centro da política brasileira: que país queremos construir para a próxima geração?”, afirmou Bianca.
Segundo a presidenta, o manifesto nasce da responsabilidade de colocar a juventude no debate sobre o projeto de desenvolvimento que o Brasil precisa construir daqui para frente. O texto trata de reindustrialização, Ciência e Tecnologia, soberania sobre riquezas estratégicas, trabalho digno, justiça tributária, reforma agrária popular e educação como eixo central de um projeto nacional.
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Reforma do sistema de Justiça entra na pauta
O presidente da Federação Nacional das e dos Estudantes de Direito (FENED), Hugo Silva, puxou o debate para o sistema de Justiça. Para ele, os episódios recentes mostram que nenhuma investigação pode parar no meio do caminho e que devido processo legal, transparência e garantias constitucionais têm que valer para todo mundo, sem exceção.
“O Brasil precisa colocar na ordem do dia uma reforma democrática do sistema de Justiça”, defendeu Hugo, apontando a necessidade de ampliar o controle público, enfrentar privilégios e aproximar a Justiça do povo brasileiro. Para o presidente da FENED, essa é também uma tarefa da atual geração de estudantes de Direito, que precisa disputar hoje o desenho das instituições que vai herdar amanhã.

Manifesto segue aberto para assinaturas
A mobilização também tem um objetivo prático. O manifesto está disponível para assinatura em comunicaune.com/manifesto-democracia-e-soberania e a UNE convoca quem apoia as bandeiras levantadas a assinar o documento.
O lançamento reuniu entidades como a Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD), a Advogadas e Advogados Públicos para a Democracia (APD), a Federação Nacional dos Estudantes de Relações Internacionais (FENERI), o Grupo Prerrogativas, a rede Defensoras e Defensores pela Democracia, a Associação Juízas e Juízes para a Democracia, a FENED e a UNE, e reforça uma frente que a UNE já vinha construindo ao longo do ano, com atuação em pautas como permanência estudantil, orçamento das universidades federais e fim da escala de trabalho 6×1. Agora ganha um documento de síntese política mais amplo, projetado para o debate público além do movimento estudantil.
