Com a presença da ministra Luciana Santos (PCdoB), de Ciência, Tecnologia e Inovação, e Alexandre Brasil, Secretário do MEC, painel encheu o Teatro Guararapes
Um momento marcante aconteceu nesta sexta (31) no Teatro Guararapes, em Olinda, durante a 14ª Bienal da UNE. Diante de uma mesa com quase 20 participantes, a União Nacional dos Estudantes entregou a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos (PCdoB), e ao Secretário de Educação Superior do Ministério da Educação (MEC), Alexandre Brasil, um documento com 12 reivindicações para atualizar a universidade brasileira e realizar a reforma universitária que os estudantes querem.

Mesa diretora da UNE entrega documento para MEC e MCTI/ Foto: Brunno Martins
A proposta é fruto da caravana ‘Clima de Futuro’, promovido pela UNE que rodou as universidades das cinco regiões do Brasil para debater um modelo de ensino superior que atenda às necessidades e demandas não só dos estudantes, mas de um projeto país, no qual a educação tem papel central e a universidade é motor do desenvolvimento e real independência nacional. “Esse é um momento histórico da UNE”, afirmou a presidente da entidade, Manuella Mirella.“Nós, estudantes, temos como participar da formulação do país”, finalizou.
A mesa contou com ainda com a presença dos reitores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), da Universidade de Pernambuco (UPE), da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), que apresentaram seu apoio. Representando também a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), o reitor da UFPE, Alfredo Gomes, realçou a importância da reforma para reafirmar a defesa do que chamou de “patrimônio da sociedade brasileira”. “A Andifes se soma à UNE na defesa da reforma universitária”, concluiu.
Realçando o papel de vanguarda da juventude nos grandes saltos que o Brasil deu ao longo do tempo ao afirmar que “não há momento importante da história do Brasil sem o DNA jovem”, a ministra Luciana Santos lembrou o apagão a que todas as pastas relacionadas à educação e ciência sofreram no último governo. E afirmou que o momento é de reconstrução e que a real soberania do Brasil passa pelo fortalecimento da capacidade de pesquisa e de criação de tecnologia nacional. Hoje, 90% da pesquisa no país vem das universidades públicas, que representam cerca de 20% dos alunos matriculados no ensino superior.

As propostas de reforma universitária apresentadas pela UNE colocam a universidade brasileira valorizada e no centro do projeto de reconstrução nacional, para que a ciência e tecnologia sejam as bases do desenvolvimento social e econômico do nosso país, garantindo que todos tenham acesso às oportunidades que surgem a partir da inovação, superando as desigualdades sociais e as disparidades regionais. A assistência estudantil, que garante a permanência dos estudantes nas instituições de ensino, é outro pilar fundamental.
A UNE demanda também que recursos advindos dos royalties da exploração do petróleo em território brasileiro sejam efetivamente aplicados no financiamento da educação, com a recomposição do orçamento das nossas universidades acima dos patamares históricos.
O Secretário do MEC recebeu as reivindicações e a afirmou que “é o momento de algo concreto para construir uma universidade presente, plural e justa”.
Da grande celebração, ficou a necessidade de mobilização para a construção de uma universidade inclusiva, diversa e altiva, para dar conta do que a deputada estadual Rosa Amorim (PT), do MST, chamou de “uma reforma universitária em que caibam os sonhos da juventude”.
>>>Leia o documento na íntegra aqui.
Texto: Felipe Mendes com edição de Cristiane Tada

Foto: Brunno Martins