Alteração em 2020 gerou classificação fantasma que inflacionou nota de corte dos cursos no sistema
Os estudantes que tem se candidatado a vagas no SISU estão atualmente perdidos em relação a nota de corte. Isso porque uma mudança no sistema em 2020 acabou inviabilizando a função na sistematização das notas. O novo método não representa a realidade da classificação final e por isso, a posição real do estudante e suas chances de ingresso na universidade podem ser alteradas constantemente.
A nota de corte é o resultado do candidato com o menor desempenho que está sendo aprovado em cada curso. Ela é atualizada diariamente no site do Sisu e serve para o aluno saber se será aprovado até aquele momento ou não. Se o candidato tiver pontuação menor do que a nota de corte ele pode optar por trocar de curso ou tentar uma vaga na lista de espera.
Antes da alteração, depois de escolhidas as duas opções de curso, a nota só contava para a 1ª opção, o sistema não considerava para a nota de corte a segunda opção dos candidatos que já estavam sendo selecionados na primeira opção de curso. O modelo novo, no entanto, não faz isso. O que, gera uma dupla classificação. Ou seja, um mesmo candidato ocupa temporariamente duas vagas, gerando algo como uma “classificação fantasma”.
“Por isso, o estudante não sabe até que ponto essa classificação que está naquele momento do Sisu inclui pessoas que marcaram aquele curso como segunda opção e vão acabar sumindo depois, pois passaram na primeira opção”, explica o presidente da UNE, Iago Montalvão.
Dupla classificação
Com a ‘dupla classificação’ os estudantes começaram a concorrer simultaneamente nas duas opções, o que desconfigurou totalmente a noção de qual é sua colocação e quais suas chances reais de ser aprovado na universidade que deseja. O que gerou um tipo de “inflação fantasma” nas notas, prejudicando mais alunos do que o sistema anterior de classificação.
“Este novo método não representa a realidade da classificação final. Dessa forma, a posição real do estudante e suas chances de ingresso na universidade podem ser alteradas constantemente. Sendo assim, é direito dos candidatos/estudantes receberem as informações claras sobre a razão para tal mudança é por isso que estamos interpelando o MEC judicialmente”, ressaltou Iago.
O MEC afirma que o modelo não aumenta artificialmente a nota de corte e que a atual apresentação é mais transparente e segura. A UNE e diversos estudantes pelo Brasil questionam o porquê de acordo com um levantamento feito pelo jornal O Globo em 3.353 cursos de universidades federais em 87% deles (2.908), a nota de corte caiu na comparação entre o último dia de inscrições no Sisu de 2020 e o resultado final.