Atos aconteceram na UnB e deram o pontapé inicial ao maior fórum estudantil da América Latina que acontece até domingo (16)

A abertura do 59º Congresso da União Nacional dos Estudantes (Conune), na noite desta quarta-feira (12/07), em Brasília (DF), foi marcada por homenagens a Honestino Guimarães, ex-presidente da entidade desaparecido no período da ditadura-militar (1964-1985). Familiares de Honestino estiveram no evento e receberam uma medalha, em reconhecimento ao heroísmo e às contribuições do líder estudantil para a luta em defesa da educação e da democracia no Brasil.

Em 2023, são 50 anos do desaparecimento de Honestino, que ocorreu em 1973, durante a gestão dele na UNE. O Conune acontece na Universidade de Brasília (UnB), a instituição em que o ex-presidente estudava Geologia – ganhando destaque logo no ingresso, por ter por ter sido aprovado em 1º lugar – e construía a resistência à ditadura.

A presidenta da entidade máxima do movimento estudantil, Bruna Brelaz, conduziu a abertura vestida com uma camiseta verde e amarela que tem o rosto de Honestino, presente também em uma faixa gigante ao lado do palco e em cartazes exibidos pelos presentes. “Essa liderança, que esteve à frente da UNE, é um símbolo da luta contra a ditadura e de todos aqueles que tombaram nas mãos dos que nos odeiam”, disse.

Bruna ainda garantiu que a celebração à memória do ex-presidente é também uma forma de dizer que os estudantes brasileiros, que derrotaram o projeto autoritário de Bolsonaro, continuam vigilantes na defesa da democracia. “Somos uma gestão que enfrentou o neofascismo, defendeu a educação e derrotou Bolsonaro nas ruas e nas urnas. Nós queremos avanços. Queremos proteger a democracia, mas temos muitas propostas para a educação”, concluiu.

Foto: Yuri Salvador

Junto à presidenta, estavam também a vice, Júlia Aguiar, e a secretária-geral, Ísis Mustafá. De acordo com Júlia, o ato de abertura também é uma demonstração de que a UNE “não esquecerá de cada estudante que levantou a sua voz contra o autoritarismo”.

Ísis completou que toda a luta estudantil de hoje só é possível porque caminhos foram abertos antes, e ainda lembrou das vítimas da pandemia da Covid-19. “Nós só estamos reunidos aqui hoje pelo sacrifício de heróis, como Honestino Guimarães. Esse congresso é por justiça pelos que vieram antes de nós e pelos que perderam a vida na pandemia”, defendeu.

Jogral em homenagem ao ex-presidente da UNE
Foto: @imatheusalves / UNE

Na ocasião, também foram apresentados um jogral baseado na história de Honestino e músicas relacionadas aos ideais do líder estudantil. Os familiares presentes agradeceram pelas homenagens e pela manutenção do legado, a exemplo do sobrinho, Matheus Guimarães, que ainda pediu aos estudantes que “o coração de Honestino Guimarães continue a bater no peito de todos”.

Familiares de Honestino
Foto: Yuri Salvador

Aliados

A celebração à memória do ex-presidente da UNE foi parte do primeiro ato da abertura do Conune, que ainda contou com a participação de diversas autoridades e lideranças do movimento social, aliadas do movimento estudantil. Uma das convidadas foi a deputada federal Gleisi Hoffman, presidenta nacional do PT, que destacou o papel dos estudantes na vitória histórica do presidente Lula, nas eleições do ano passado.

Gleisi Hoffmann/ Foto: @imatheusalves / UNE

“Se Lula subiu a rampa, isso se deveu muito às mulheres e à juventude. Agora, tenho certeza que vamos reestruturar a educação no nosso País, e a vinda de Lula ao Congresso [da UNE, na quinta-feira] é uma prova desse compromisso”, afirmou a dirigente do PT.

A reitora da UnB, Márcia Abrahão, anfitriã do evento, exaltou o papel da União Nacional dos Estudantes nas mobilizações contra os ataques às universidades, desde o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff, em 2016. “Fomos acusados de fazer balbúrdia, cortaram orçamento, deixaram de nomear reitores, mas resistimos porque tivemos vocês ao nosso lado o tempo todo”, reconheceu.

Reitora Márcia Abrahão /
Foto: Yuri Salvador

Quem fez coro com a manifestação de Márcia foi Ricardo Marcelo Fonseca, presidente da Associação dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes). Ele ainda lembrou do caso Luiz Carlos Cancellier, reitor da Universidade Federal de Santana Catarina, acusado injustamente por desvio de dinheiro, em 2017, o que provocou o seu suicídio.

“As universidades federais foram atacadas, depois do golpe, e nos tratávamos como se nós fôssemos bandidos. Por que fomos alvo? Porque somos foco da resistência e da inteligência brasileira. Nós, universidade pública e estudantes, somos imprescindíveis ao Brasil, mas temos que ficar vigilantes. Democracia é um processo que não está acabado”, defendeu.

Também participaram do primeiro ato da cerimônia de abertura Vinicius Soares (ANPG), Jade Beatriz (UBES), Celso Campilongo (Faculdade de Direito da USP), Fábio Félix (deputado distrital/Psol), (UP), Paulo Henrique (Frente Brasil Popular), Ronald Sorriso (Secretaria Nacional de Juventude), além de representantes da Defensoria Pública da União (DPU) e da Unidade Popular (UP).

2º ato

O segundo ato de abertura teve a participação do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF); do ministro Flávio Dino (Justiça e Segurança Pública); da reitora da UnB, Márcia Abrahão; e do deputado federal e ex-presidente da UNE, Orlando Silva (PCdoB/SP).

Por Erikson Walla