Nesse dia 28 de junho, dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, os estudantes lançam o seu 4º Encontro LGBT da UNE que vai acontecer no dia 14 de Julho. As inscrições para o Encontro estão abertas junto as inscrições do Congresso da UNE, basta fazer a opção pela participação ao final do seu cadastro. Leia o texto de lançamento do encontro:
Chegamos a mais um dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+. Apesar da pandemia, dos milhares mortos, do aumento da violência, da fome e do desemprego, nós ainda celebramos nossos amores. Mas, por que festejamos diante de tanto caos? Porque essa data se tornou um tipo de “dia dos namorados exclusivo para LGBTs”?
Essa que é hoje uma data celebrada ao redor de todo mundo, foi assim conquistada a partir da mobilização de muitos contra as violências constantes de uma realidade que se repete até hoje. Quando lá em 1969, no bar Stonewall, vários LGBTs se rebelaram contra as violências e extorsões dos agentes de segurança do Estado, da polícia, eles buscavam o mesmo que muitos de nós ainda buscam, o exercício pleno dos seus direitos de humanidade.
Quando Sylvia Rivera, Marsha P. Johnson, Storme DeLarverie, e tantos mais lutavam por suas vidas, para que pudessem vivê-las com o direito pleno a dignidade, estavam colocando o Estado no seu devido lugar. Gritaram na cara de quem quisesse ouvir que a partir dali não suportariam a criminosa prática das violações a vida e aos direitos das pessoas LGBTs.
Mesmo assim, ainda temos de chorar os sofrimentos de irmãos que são brutalmente atacados por serem quem são. Roberta Silva, uma mulher trans, jovem e nordestina foi atacada há menos de 1 semana do celebrado “dia do orgulho”. Vivendo em situação de rua, invisibilizada pelo Estado, Roberta sobrevivia resistindo para viver a sua verdade.
O dia do orgulho deve ser uma data celebrada por nós a partir da responsabilidade de vidas e sonhos doados para que possamos viver essa nossa realidade. Essa data se tornou o dia do amor arco-íris para que a topetuda sociedade capitalista burguesa aceitasse como palatável a existência dos amores insurgentes e lucrassem com aqueles que não pereceram diante sua violenta tática higienista de construção de famílias. Mas, nessas condições, com a realidade de um dia tão importante sendo encarado por toda a sociedade como mais uma data comercial, quem consegue celebrar o seu orgulho?
A realidade é que com a maquiagem do “amor é amor” a sociedade se coloca no privilégio de não dizer em voz alta que “Nem toda vida é vida”, se esconde atrás das propagandas românticas para corroborar a quem quer perpetua a ideia higienista de que algumas vidas valem mais do que outras.
Não é sobre presentes e amores de redes sociais, nosso orgulho é sobre luta e liberdade, é sobre resistência e dignidade, nos organizamos porque temos a certeza de que enquanto um de nós não for livre, nenhum de nós será. É sobre a busca incessante por uma realidade que nos respeite como somos e que tenha na nossa vivência uma referência de sujeitos plenos de seus direitos.
A luta pelas garantias e conquistas dos direitos LGBTs é também a luta por uma nova sociedade, pela construção de uma nova cultura política, em defesa de uma educação democraticamente plural e de qualidade, pelo fim dessa sociedade de consumo violento que quer lucrar precificando nossos corpos e midiatizando as nossas realidades. Também ressaltamos a solidariedade como um valor coletivo a ser construído em nossa comunidade, nos espaços em que estamos inseridos e lado a lado com o povo.
Nos organizamos porque é na luta que a gente se encontra, nos orgulhando de quem está ao nosso lado, acreditando que “um novo tempo há de vencer”.
Diretoria LGBT da UNE
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