Para além de uma figura polêmica e contraditória, Abraham Weintraub é a personificação do programa conservador e reacionário em que o governo tenta se assentar para manter sua bolha de aprovação. Para isso ele transformou o Ministério da Educação no centro de uma disputa ideológica por vezes ridícula, mas também muito perigosa para o futuro dos estudantes brasileiros. Confira os porquês:
Balbúrdia
Logo no início de sua gestão em 2019 já colocando em ação a campanha difamatória para desmoralizar a universidade pública brasileira, o ministro afirmou que o MEC cortaria recursos de universidades que não apresentassem o desempenho acadêmico esperado e estivessem promovendo “balbúrdia” em seus campi. Em plena pandemia as universidades tem provado seu valor a sociedade todo dia pelo noticiário com a produção de pesquisa e ciência contra o Covid-19.
Ataques
Na mesma linha em entrevista a um canal do Youtube, o ministro fez afirmações de que haveria “plantação de ervas para produção de drogas” nas universidades federais brasileiras. E ainda que as universidades teriam “plantações extensivas” de maconha e produção de drogas sintéticas em laboratórios de química. Tudo isso sem provas.
Desconhecimento
Ao lançar um programa para o fomento de estudos sobre segurança pública, Weintraub, ao lado do Ministro da Justiça Sérgio Moro afirmou não haver tal linha de pesquisa nas universidades. Contudo, só em 2018, a Capes registrou 246 trabalhos de mestrado e doutorado na área, segundo catálogo da própria instituição.
Fature-se
Sem nenhum diálogo com a comunidade acadêmica o programa Future-se foi lançado como uma alternativa de financiamento das instituições de ensino. A verdade é que a proposta era um caminho de sucateamento da educação pública brasileira, o que ficou muito claro com os cortes apresentados no ano passado, a diminuição no orçamento da educação em 2020, e o foco para a iniciativa privada como alternativa à falta de aporte público provocada pelo próprio governo.
Perseguição
Os famosos ‘’tsunamis da educação’’ em 2019 receberam apoio de diversos segmentos da sociedade. Desde então a UNE e as entidades estudantis tem sido um dos alvos preferidos do ministro nas suas redes sociais lugar onde publica apenas fake news e insultos. Mas não impunimente. O STF já determinou que ele explica-se críticas feitas a UNE.
Meia-entrada
Com a intenção de diminuir o potencial de mobilização das entidades estudantis, o MEC atacou sua principal fonte de financiamento que são as carteirinhas da meia-entrada estudantil. Através da MP da ID estudantil, o governo tentou retirar da UNE o papel da emissão da meia-entrada, lançando uma carteirinha digital e “gratuita”, onde foram gastos milhões em propaganda que poderiam ser investidos na educação. Porém, fruto de muita pressão dos estudantes brasileiros, a medida provisória não passou na Câmara dos Deputados.
Erros no Enem e no Sisu
O pior Enem da história começou com um na correção das provas de 6 mil candidatos o que desacreditou todo o processo, gerando incerteza e caos. Sem diálogo, desculpas ou mesmo resolver todos os casos o sistema de seleção do SISU começou e apresentou novos erros prejudicando milhares de estudantes.
Diminuição de bolsas do ProUni e Fies
Foi com Weintraub a frente do MEC que tivemos também uma drástica diminuição no número de bolsas ofertadas através dos programas do governo como o ProUni, devido à priorização de cursos à distância em uma política que visa ampliar o lucro dos grandes conglomerados do ensino superior privado, como a Kroton e Nima. O FIES, que também possibilitou a milhares de jovens a realização do sonho de cursar o ensino superior, sofreu mudanças significativas, em especial o fim do período de carência para início do pagamento do curso por parte do estudante, fazendo-se cada vez mais necessário o perdão das dívidas no programa.
Descaso com o Fundeb
O principal programa de financiamento a educação básica vence este ano e para que as escolas continuem funcionando bem em todo o país é urgente aprovar um novo Fundeb. Uma participação financeira maior da União também é imprescindível neste fundo, mas o MEC de Weintraub não endossa o projeto que aumenta a contribuição federal para 15% em 2021 com acréscimos anuais de 2,5% até chegar a 40% em 2031.
Corte de bolsas da Capes
Desde que assumiu a pasta os cortes nas bolsas de pesquisa tem sido constantes na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Na contramão do mundo que luta desesperadamente por soluções para a pandemia um corte de bolsas instituído por portaria no dia 9 de março afetou inclusive grupos de pesquisa que buscam justamente respostas ao Covid-19.