Encerramento do 60º Congresso da UNE teve homenagem aos estudantes, votação do Plebiscito Popular e apresentação das chapas.
O último dia do 60º Congresso da UNE, realizado neste domingo, 21/7, foi marcado por emoção, memória, participação política e o fortalecimento da democracia estudantil. A abertura da plenária final foi conduzida por Manuela Mirella, presidenta da UNE, que agradeceu a presença dos estudantes vindos de todas as regiões do país.
“Quero saudar todos os estudantes dos quatro cantos desse Brasil que chegaram ao 60º Congresso da UNE preparados pra debater os desafios do presente e do futuro”, afirmou Manu em sua fala de abertura.
Manuela também agradeceu aos patrocinadores que contribuíram para a realização do evento e prestou mais uma homenagem aos estudantes da Universidade Federal do Pará (UFPA) que perderam a vida em um trágico acidente na BR-153 a caminho do Congresso, Ana Letícia, Welfeson e Leandro. O Goiânia Arena foi tomado por aplausos, em mais um momento de dor compartilhada e reafirmação do compromisso coletivo com a luta desses jovens.
Durante o momento, foram exibidos alguns vídeos da entidade, incluindo um especial de retrospectiva das ações e lutas conduzidas pela gestão que se despede da direção da UNE. O momento celebrou a potência de uma geração que resistiu aos retrocessos e construiu pontes para o futuro.
Plebiscito Popular: quando o povo decide, o país muda
A programação seguiu para um dos momentos-chave do dia: a votação do Plebiscito Popular, lançado como parte da agenda do Conune.

A consulta propõe a defesa de pautas centrais para a classe trabalhador:
- O fim da escala 6×1, modelo de trabalho que não garante duas folgas por semana;
- A redução da jornada de trabalho sem redução de salário, garantindo mais qualidade de vida e dignidade para a classe trabalhadora;
- A isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil;
- Maior taxação para quem ganha acima de R$ 50 mil.
“Queremos reduzir as jornadas de trabalho, o fim da escala 6×1 sem a redução salarial, para que o povo tenha dignidade trabalhista, para que o povo tenha direito a uma vida viva. E queremos também incentivar a isenção do imposto de renda daqueles que ganham até 5 mil reais”, declarou Daia, vice-presidenta da UNE.
Para Manuela Mirella, o Plebiscito é uma forma de ampliar a voz da juventude. “Agora, o Plebiscito está na rua e é uma votação para os estudantes que estão aqui e querem ser parte do progresso. Que a gente saia desse congresso pra falar com o povo brasileiro. Porque quando o povo decide, o país muda.”

A consulta à população está sendo realizada até Setembro de 2025 em universidades, escolas, locais de trabalho e comunidades em todo o país, com o objetivo de pressionar por mudanças na legislação trabalhista e tributária. No fim, o resultado da consulta popular será entregue ao governo federal.
(Acesse plebiscitopopular.org.br para materiais informativos e de mobilização para download).
Deliberações estatutárias e chapas
Enquanto a votação do Plebiscito era realizada, os delegados e delegadas também deliberaram sobre alterações no Estatuto da UNE. As reformas estatutárias aprovadas abrem caminho para que o próximo CONEG (Conselho Nacional de Entidades Gerais) dê continuidade às atualizações e mudanças propostas, garantindo maior dinamismo e adequação à estrutura da entidade.
Encerradas as deliberações, a plenária avançou para a apresentação das chapas que disputariam a nova direção da UNE.
Os próximos passos foram a apuração dos votos e a divulgação da nova gestão, que assumirá o desafio de representar a maior entidade estudantil da América Latina pelos próximos dois anos em um contexto decisivo para o Brasil.
*Por Mayra Bortone
Fotos: Karla Boughoff