A consulta e o resultado eleitoral para a sucessão da reitoria da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), realizada entre os dias 03 e 05 de agosto deste ano, foi alvo de suspensão através de uma liminar da 2ª Vara Federal de São Carlos diante de uma ação ajuizada por integrantes da chapa 1: “Por Uma UFSCar Notável”. A liminar, promulgada na quinta-feira, 22 de Outubro vai ao encontro do que os professores Fernando Manuel Araújo Moreira e Fernanda de Freitas Anibal, candidatos a reitor e vice-reitora, respectivamente, alegam com relação ao processo eleitoral do qual aceitaram participar e perderam, de que a consulta eleitoral se deu de forma “questionável”.
Acreditamos que o questionamento dos candidatos perdedores, a ação ajuizada e, por fim, a liminar promulgada, deslegitimam o processo democrático de consulta eleitoral à nossa comunidade. O processo mais participativo de toda a história da UFSCar, contando com 9443 votos, foi colocado no lixo por seus perdedores. Em resposta aos descontentes, a lista tríplice, que continha os nomes da chapa eleita, foi suspensa pela justiça. Deste modo, a transição entre a gestão atual Wanda-Libardi e a gestão eleita Adilson-Jesus não poderá se efetivar — um ataque direto à democracia e autonomia da nossa universidade, bem como a possibilidade real da nomeação de um interventor por parte do governo de Bolsonaro e Mourão, que, como todos sabemos, veem as universidades, a educação e a ciência como inimigas prioritárias.
Muito nos impressiona a passividade da atual gestão da reitoria diante da gravidade desses fatos. A atual gestão, que também concorreu ao mesmo processo visando a reeleição — e que perdeu, ocupando a segunda posição —, não mobilizou até o presente momento nenhuma reunião do Conselho Universitário (ConSuni) explicitamente com esta pauta, a fim de debater o que estamos vivenciando em nossa Universidade e assim firmar o compromisso da administração com a defesa da consulta eleitoral e a lista tríplice elaborada. Pelo contrário: disparou e-mails sem nenhum tom de crítica ao ataque antidemocrático da outra chapa perdedora. Acontece que a atual reitora, professora Wanda Hoffmann, enquanto candidata à reeleição pela chapa 3, e o professor Fernando Manuel Araújo Almeida, candidato pela chapa 1, firmaram compromisso de que respeitariam a democracia e o resultado da pesquisa eleitoral. Estariam ambos mentindo naquele momento, ou resolveram descumprir com seus acordos agora?
Vale lembrar que a chapa 2: “Juntos Pela UFSCar” teve 66,6% dos votos, sendo vitoriosa em todas as categorias da nossa universidade — isto é, pelos servidores técnico-administrativos, docentes e discentes de pós e graduação —, não deixando margem para dúvidas de qual é o projeto que a comunidade acadêmica deseja ter à frente da reitoria pelos próximos quatro anos. Isto vai no sentido de termos uma UFSCar democrática, com uma gestão progressista e comprometida com o conjunto das categorias universitárias, pautando os investimentos na Educação, ciência e tecnologia, defendendo a permanência estudantil e a democratização do acesso ao ensino superior. Não permitir a posse da chapa de Adilson e Jesus é, portanto, desrespeitar o que a maioria da universidade deseja; isto chamamos por golpe, e sabemos muito bem o que os golpes costumam trazer depois de efetivados: retrocessos, privações de direitos e autoritarismo.
As gestões do Sindicato dos Técnicos Administrativos da UFSCar (SINTUFSCar), da Associação de Pós Graduandos (APG), e da Associação dos Docentes da UFSCar (ADUFSCar) e do Diretório Central dos Estudantes (DCE Livre – UFSCar) junto a professores; técnicos administrativos, centros acadêmicos, conselheiros e conselheiras e demais estudantes engajados na defesa da Educação e dos nossos direitos sociais e políticos, construíram desde o início, responsavelmente, a mobilização para a ampla participação eleitoral no processo de sucessão da reitoria, permanecendo em constante vigília e articulação para que todos os passos necessários fossem dados com respeito à participação e decisão da maioria da comunidade universidade. As quatro entidades se posicionaram fortemente contra essa tentativa de intervenção e golpe na democracia interna da UFSCar. A reunião aberta convocada pelas entidades para a segunda-feira apontou a necessidade de unidade de todas as categorias para defesa intransigente da democracia e da autonomia da nossa universidade, como também a necessidade de ações em todas as linhas de enfrentamento possíveis.
Precisamos seguir atentos, nos mobilizando para que o reitor eleito seja empossado: a gestão Adilson-Jesus é legítima e saiu vitoriosa de um processo com ampla participação que não abre brechas para deslegitimação política. Qualquer resultado que não seja esse é, portanto, golpe. A ação da justiça e o silêncio da atual gestão da reitoria apontam num mesmo caminho: acordo com o golpismo intervencionista de Bolsonaro-Mourão nas universidades públicas e cumplidade com os riscos que essa ação representa na autonomia e democracia universitárias, bem como na vida concreta das e dos estudantes. Nós, entidades gerais e entidades de base abaixo assinadas, nos solidarizamos com a chapa de Adilson e Jesus, eleita por nossa categoria para nos representar no próximo período, e assumimos o nosso compromisso com a defesa da UFSCar contra o bolsonarismo e o autoritarismo que aqui se instauram, em unidade com todas as categorias em defesa da autonomia e democracia interna.
#ReitorEleitoÉReitorEmpossado
Assinam esta nota:
DCE Livre – UFSCar. Gestão “Por Todos Os Cantos”
UNE – União Nacional dos Estudantes
UEE-SP – União Estadual dos Estudantes – São Paulo
APG – UFSCar
DALS – Diretório Acadêmico de Lagoa do Sino
CAAMP – Agroecologia/Araras
CABiotec-Ar – Biotecnologia/Araras
CAAMec- Engenharia Mecânica/São Carlos
CABio – Ciências Biológicas/São Carlos
CABiotec – Biotecnologia/São Carlos
CACIB – Biblioteconomia e Ciência da Informação/São Carlos
CACiv- Engenharia Civil/São Carlos
CAEEL – Engenharia Elétrica/São Carlos
CAEF – Educação Física/São Carlos
CAEnf – Enfermagem/São Carlos
CAEP – Engenharia de Produção/São Carlos
CAEQ – Engenharia Química/São Carlos
CAJAR – Ciências Sociais/São Carlos
CALIGAA – Gestão e Análise Ambiental/São Carlos
CAMa – Engenharia de Materiais/São Carlos
CAMAT – Matemática/São Carlos
CAMSA – Medicina/São Carlos
CAMús – Música/São Carlos
CAPe – Pedagogia/São Carlos
CAPsico – Psicologia/São Carlos
CAQuí – Química/São Carlos
CATO – Terapia Ocupacional/São Carlos
CAVS – Gerontologia/São Carlos
DAF – Fisica e Engenharia Física/São Carlos
CABio – Biologia/Sorocaba
CACCS – Ciência da Computação/Sorocaba
CAEF – Engenharia Florestal/Sorocaba
CAGeoS – Geografia/Sorocaba
CAMAT – Matemática/Sorocaba
CAPed – Pedagogia/Sorocaba
CATO – Economia/Sorocaba
CATur – Turismo/Sorocaba