O Conselho Superior Universitário da Universidade Federal da Paraíba aprovou na manhã nesta segunda-feira (9/10) uma moção de repúdio ao professor Valdiney Gouveia nomeado reitor da instituição pelo presidente Jair Bolsonaro. A UFPB é o mais novo alvo, a 15ª universidade a ter um reitor interventor posto no cargo desrespeitando totalmente a autonomia acadêmica.
“Mais do que a defesa de uma candidatura específica, o que move este CONSUNI é a defesa dos preceitos de democracia e autonomia universitária, nos termos do artigo 207 da Constituição Federal”, diz a moção do órgão máximo da universidade.

Desde a publicação no Diário Oficial no último 4 de novembro, os estudantes tem protestado contra a intervenção e realizaram uma grande manifestação no campus em João Pessoa na semana passada.
“As mobilizações não vão parar enquanto a nomeação ilegítima do Prof. Valdiney não for revogada”, afirmou Ciro Caleb, estudante do Centro Acadêmico de História Quebra-Quilos da UFPB e do Coletivo Estudantil A UFPB SOMOS NÓS. Um grupo de estudantes estão ocupando a Reitoria em sinal de protesto. “Estamos em luta em diferentes frentes e em unidade entre estudantes, servidores técnicos e professores para mostrar para a comunidade acadêmica e toda a sociedade que o que está em jogo é a defesa da educação e da autonomia de nossas universidades”, completou Cabeb.
Uma assembleia estudantil estava marcada para a parte da tarde, mas foi invadida por hackers e por isso, foi transferida para uma assembleia presencial no Centro de Vivências na UFPB amanhã (10/11) seguida por um grande ato às 16h na Reitoria. Deve acontecer ainda uma confirmação da vontade da comunidade em um ato de posse das reitoras unanimamente eleitas pelo processo eleitoral Terezinha Martins e Márcia Nobrega, reitora e vice.
Nomeado sem nenhum voto
“Nós não reconhecemos essa nomeação pelo simples fato dela ser ilegítima. Estamos sim nos atos e vamos participar de todas as manifestações em defesa da autonomia dessa universidade”, afirmou o professor Fernando Cunha do Sindicato dos Professores da Adufpb.
A Chapa encabeçada pelo Prof. Valdiney Gouveia teve pouco mais de 5% dos votos na consulta pública, ficando na terceira e última colocação, e no colegiado eleitoral, composto pelos três conselhos superiores da Universidade, não obteve um único voto.

O colégio eleitoral é o que legalmente indica os reitores para serem nomeados na lista tríplice. Gouveia participou da consulta eleitoral e perdeu em todos os campi e segmentos docentes, técnicos administrativos e estudantes.
“Então ele não tem legitimidade alguma para ser nosso reitor”, reafirmou.
Assim como nas outras universidades pelo Brasil que estão sofrendo com a falta de democracia do presidente Bolsonaro, Fernando afirma que a preocupação maior dos professores e comunidade universitária em geral é a possibilidade de destruição da universidade pública.
“Não sabemos o que o professor Valdiney pode fazer, até porque o seu projeto de gestão foi rejeitado. Procedimentos autoritários, perseguição política, com desmonte e a abertura de um processo privatizante que não é isso que a UFPB quer”.