Mesa destacou que reconstruir o país exige estratégias, poder nas mãos do povo e riqueza nacional à serviço dos brasileiros

Na tarde desta quarta-feira, 17, o 60º Congresso da UNE recebeu um dos debates mais densos da programação: “Soberania e desenvolvimento: a construção de um projeto de desenvolvimento nacional”, que lotou um dos auditórios do Centro de Convenções da UFG. O encontro contou com a presença de lideranças políticas e sociais que têm atuado na formulação de alternativas populares frente à crise econômica e aos avanços da extrema-direita no Brasil e no mundo.

Participaram da mesa Inácio Arruda ( Secretário de Ciência e Tecnologia do MCTI), Fernanda Melchionna (deputada federal pelo Psol/RS ), Deyvid Bacelar (coordenador geral da FUP ), Edinho Silva (presidente do PT), Matheus Gomes (deputado estadual pelo RS) e Pedro Campos (PCdoB / OAB-SP).

Foto: @brunnomartins

Abrindo a discussão, Inácio Arruda destacou que a retomada de um projeto nacional exige romper com a lógica do entreguismo e resgatar a soberania como valor central. “Não existe soberania sem ciência, tecnologia e valorização da nossa capacidade produtiva. É assim que construímos autonomia e saímos da dependência”, afirmou o secretário.

A deputada federal Fernanda Melchionna pontuou os riscos da ascensão global da extrema-direita e defendeu que a esquerda brasileira esteja preparada para resistir às investidas autoritárias. “Vivemos quatro anos de saídas fascistas, ataques às instituições e destruição das políticas públicas. É preciso reconstruir o país com base na democracia radical, na justiça social e no protagonismo popular”, disse.

Deyvid Bacelar trouxe a perspectiva dos trabalhadores e a importância das estatais estratégicas no desenvolvimento nacional. Segundo ele, “não há projeto soberano possível sem Petrobras pública, sem reestatização de setores cruciais e sem a classe trabalhadora no centro das decisões.”

Foto: @brunnomartins

O presidente do PT, Edinho Silva, reforçou a ideia de que a soberania está diretamente ligada ao enfrentamento das desigualdades. “Construir um Brasil soberano é garantir que o povo tenha poder. Isso significa enfrentar o racismo, o patriarcado, a fome e construir uma nova institucionalidade baseada na participação popular”, defendeu.

O deputado Matheus Gomes destacou o papel da juventude e das periferias nesse novo ciclo político. Para ele, “a transformação só virá com a mobilização popular. O povo negro, as mulheres, os indígenas, os trabalhadores e a juventude das quebradas precisam ser sujeitos centrais desse novo Brasil.”

Fechando a mesa, Pedro Campos lembrou que o combate ao autoritarismo passa também por uma reforma profunda do sistema político e do Judiciário. “A democracia brasileira precisa deixar de ser um privilégio de poucos. Defender a soberania é também democratizar o acesso à justiça, à terra, à comunicação e ao poder”, concluiu.

O debate terminou com palavras de ordem, aplausos e uma certeza comum entre os presentes: a juventude quer e vai participar da construção de um Brasil soberano, justo e popular.

*Por Mayra Bortone