A abertura do Seminário de Entidades Gerais da UNE aconteceu no começo da noite da terça-feira (28/7) em um debate online com a participação de convidados e perguntas dos estudantes que acompanharam a transmissão ao vido pelo canal da entidade no YouTube.

Durante as falas a certeza de que é preciso o acúmulo da forças sociais, mobilização de massa e muita disputa ideológica para enfrentar os desafios que o Covid, seus desdobramentos e o desgoverno de Bolsonaro tem imposto à população.

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB-MA) foi o primeiro a falar e tentou passar otimismo aos estudantes diante da conjuntura. “É preciso não desanimar ante intempéries gravíssimas , é preciso ter um sentimento profundo de responsabilidade com o nosso país e com os mais pobres, que precisam de um país com mais igualdade de direitos. Para isso o movimento estudantil é vital para manter a chama da esperança, não só na luta educacional, mas apresentando as suas visões do Brasil de hoje”, ressaltou.

Para o ex-magistrado estamos no limiar de um quadro de devastação econômica, e o auxílio de 600 reais conquistado é apenas um paliativo. “Temos um quadro muito grave e precisamos colocar em primeiro plano a temática da geração de empregos e para isso temos que cobrar de Bolsonaro. Porque ele está tentando empurrar isso para Estados e municípios e ele não pode ficar na porta do Palácio apenas como um analista, a responsabilidade é dele. Do ponto de vida constitucional é ele que tem que conduzir a política econômica de forma eficaz”.

A presidenta do Partido dos Trabalhadores, deputada-federal Gleisi Hoffmann concorda com Dino sobre a urgência de pautar desenvolvimento e emprego.

“48% da mão de obra ativa no país está desempregada, quando acabar o auxílio que está segurando pouco a situação teremos um cenário de devastação social, e isso é muito grave. Um país rico como o Brasil e que já mostrou que é possível fazer de forma diferente a condução da economia de política não pode ser conformar ter um governo que jogue para a destruição. Como faz com a Amazônia e o meio ambiente”, exemplificou.

E frisou: “precisamos de um plano que reconstrua e transforme o país, o principal é a proteção da vida com medidas de garantia de emprego, renda e serviços públicos de qualidade”.

Hoffmann defendeu o impeachment do presidente, porque segundo ela o governo Bolsonaro não tem condições políticas nem humanas de tirar o país da crise politica, sanitária e econômica que ele se encontra.

Apesar de tanto revés, temos avançado

O deputado federal André Figueiredo (PDT-CE) também defendeu que é preciso trabalhar com muita estratégia uma política de emprego, e resgatar o poder do povo brasileiro de gerar renda. Para ele é necessário garantir condições para os pesquisadores de Ciência e Tecnologia possam gerar riqueza intelectual e assim consequentemente o Brasil não fique dependente apenas de commodities, como do agronegócio. “Precisamos fazer a nossa cabeça funcionar para isso, precisamos de recursos que beneficiem bolsistas da Capes, do CNPQ, precisamos fazer essas lutas indispensáveis”.

Em uma fala também positiva ele elencou vitórias importantes como a saída de Wentraub a quem chamou de “fascistoide” e destacou que foi uma demostração de indignação da população que ampliou o espaço de instituições que defendem a democracia. “Recentemente as universidades sofreram ataques, a MP 914 queria tirar fontes de financiamento, afrontava as entidades estudantis e conseguimos fazer com que a MP que ela caducasse. Depois a MP 979 dando ao ministrinho [Wentraub] a capacidade de nomear os reitores por conta da pandemia, conseguimos fazer com que o presidente do congresso devolvesse a MP e depois ela foi anulada pelo próprio governo”.

O presidente da Unidade Popular, Leonardo Perícles, lembrou que a crise que enfrentamos é anterior a pandemia, e que durante o isolamento social houve um acirramento da luta de classes, uma ofensiva da extrema direita. “Mas se é acirramento avançam eles, mas também avançamos nós. Vemos uma reação do campo popular, uma contraofensiva mundial contra o fascismo e o racismo”. E lembrou do cerco à Casa Branca, centro de poder dos EUA, por manifestações populares, sobre a reação contra polícia da cidade do George Floyd, a derrubada da estátua do mercador de escravos no Reino Unido, manifestações se estenderam para a América Latina e ganharam o mundo.

Péricles defendeu uma frente ampla de luta, mas segundo ele com setores não golpistas e não com a classe burguesa.

Seminário de Entidades Gerais da UNE

O Seminário acontece até o domingo (02/8) e sua programação de debates e plenárias estão sendo transmitidas ao vivo no canal do YouTube da UNE.

Para saber a programação completa acesse inscricao.une.org.br