Atos em defesa da cultura e em luto pela perda irreparável ocasionada pelo descaso do governo acontecem nesta segunda
No ano de seu bicentenário, as comemorações pelo rico acervo do Museu Nacional – no Rio de Janeiro, tornaram-se ecos de lamento por todo país. O incêndio da noite de domingo (2) ocasionou a destruição de 20 milhões de peças e revelou uma tragédia sem precedentes que começou não com as primeiras labaredas, mas sim com os frequentes cortes orçamentários e o descaso do governo com a cultura, a educação e o patrimônio histórico brasileiro.
A Emenda Constitucional 95 sancionada por Michel Temer e o consequente congelamento dos investimentos públicos por 20 anos é apontada pela União Nacional dos Estudantes (UNE) como uma das causas diretas dos cortes orçamentários que culminaram nesta perda irreparável para a história e o futuro do Brasil.
”O dia de hoje mostra o quão urgente é a luta pela derrubada da Emenda Constitucional 95, que congela os investimentos em áreas como a Educação, e todos os cortes na área da Ciência e Tecnologia promovidos desde o golpe. A União Nacional dos Estudantes entende que é central transformar a situação da educação pública, da ciência e da tecnologia para combater as desigualdades do nosso país”, diz nota publicada pela entidade na noite de domingo.
O Museu Nacional é vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), instituição que também sofre com o sucateamento e corte de verbas. O incêndio de domingo é o quinto em prédios da universidade desde 2015. Já foram registrados incidentes no Palácio da Praia Vermelha, Hospital Universitário, alojamento estudantil e no prédio da reitoria.
Para a presidenta da UNE Marianna Dias, o incêndio demonstra o menosprezo do poder público com o nosso patrimônio histórico e científico. ”Quando um país não se preocupa com sua cultura e sua ciência, quando o governo restringe os recursos a para educação, sucateia a universidade pública, quando não valoriza o passado, compromete o futuro e mostra a verdadeira face do golpe. Os atentados à nossa história são história, mas resistimos”, disse.
PROTESTOS
Na manhã desta segunda-feira (3), um ato em frente ao Museu assinalou o estado de luto e pediu respostas e ações concretas para os museus e universidades restantes no país. Centros da UFRJ dispensaram aulas e o Diretório Central dos Estudantes (DCE) também marcou presença.
Durante a tarde, mais um ato está marcado para ocorrer a partir das 16h, na Cinelândia, convocado pelas entidades estudantis, pelos professores e técnicos-administrativos. Em São Paulo também haverá um ato na capital do estado, no Vão Livre do Masp a partir das 18h.
Na próxima terça (4), uma reunião da bancada do estado do Rio com a reitoria da UFRJ acontecerá em Brasília.
”Precisamos pensar nas medidas cabíveis para o cenário que está colocado. A realidade é que boa parte do acervo foi perdida, e não há como recuperar. Temos que pensar daqui pra frente nos prédios históricos que restaram e nos acervos que ainda resistem e estão sob ameaça”, falou o diretor da UNE Leonardo Guimarães.
Para ele, que é estudante da UFRJ, há anos o Museu Nacional clama por reformas que não foram feitas nas últimas décadas.
”O congelamento dos investimentos em educação com a EC 95, política de Temer e sua turma, garantiu que a reforma não fosse feita nos próximos 20 anos. A média nas federais é de 70% de corte do orçamento de investimento, ou seja, para fazer novas obras. Com a EC, temo pelos outros prédios históricos da UFRJ”, salientou.