Contra entreguismo e autoritarismo, estudantes resgatam a história da UNE e colocam a defesa do Brasil no centro do debate político do presente

A palavra soberania parece pesada, mas ela mora em gestos simples: na escolha de defender o que é nosso, na recusa de entregar nossas riquezas e no entendimento de que um país só é livre de verdade quando pode decidir o próprio destino. E quem tem colocado essa luta no centro do debate são os jovens – com clareza, coragem e muito peito aberto. No 60º Congresso da UNE, o tema da soberania nacional voltou com força baseado no conjuntura política atual, e os depoimentos que colhemos mostram que essa geração sabe muito bem de que lado está.

Guilherme Mendonça Coelho, 20 anos, foi direto ao ponto: “Acho que é algo que todos os brasileiros deveriam defender, independente da posição política. Mas infelizmente hoje temos líderes da extrema-direita que não defendem a nossa soberania, querem entregar o país aos Estados Unidos. Graças a Deus temos um presidente patriota que olha pro nosso Brasil.”

Foto: brunnomartins

Para ele, a defesa da soberania não é uma pauta de esquerda ou direita – é uma questão de dignidade nacional. E quando políticos tentam vender o Brasil a preço de banana, é papel da juventude se levantar.

Marina Morango Cardoso de Souza, 23 anos, puxou o fio histórico. “A Constituição de 88 garante nossos direitos e a UNE teve papel fundamental na construção disso. A gente tava ali na época da ditadura, na resistência. A UNE sempre esteve nas bases da luta por soberania.”

É verdade. A UNE não é recém-chegada nessa história: ela já enfrentou tanques, censura e perseguição. Agora, enfrenta um projeto neoliberal que, com a desculpa de “modernização”, quer entregar o pré-sal, as estatais e até a Amazônia.

Foto: @brunnomartins

Carollina Ferreira Gomes do Nascimento, 20 anos, conecta tudo isso com o cotidiano de quem estuda:“A UNE nos faz entender por que estudamos o que estudamos, por que a história do cinema brasileiro importa, por que é preciso que o ensino chegue a todos. Entender o povo brasileiro é também defender sua soberania.”

O que Carollina toca é fundamental: a soberania também passa pela cultura, pela educação, pelo direito de cada brasileiro se ver representado e respeitado. E é exatamente aí que a UNE entra como ponte entre o passado e o futuro, resgatando o que foi conquistado e garantindo que ninguém fique pra trás.

Num momento em que interesses estrangeiros espreitam nossas riquezas, e parte da elite nacional atua como entreguista de luxo, os estudantes – de novo – se colocam na linha de frente.

*Por Gregory França Naressi da Cobertura Colaborativa, com edição de Cristiane Tada. 

Foto: brunnomartins