O dia 28 de Junho se tornou em todo o mundo uma data de celebração e memória por todas as vidas e lutas que dão origem à comunidade LGBT. Nesse mesmo dia, 51 anos atrás, a polícia de Nova York entrou no bar Stonewall Inn, em Greenwich Village – Nova York, espaço tradicionalmente frequentado pela comunidade LGBT e, escondidos sob uma alegação de irregularidades do estabelecimento, prenderem e agrediram covardemente
diversas pessoas.
Não foi a primeira vez que o braço armado do Estado agia e agredia a comunidade naquele espaço, mas foi a primeira vez que a comunidade LGBT reagiu de forma massiva. A partir daí, foram dois intensos dias de revolta e manifestações por respeito e direitos, dias que não tiveram fim até hoje.
Essa revolta marcou o dia 28 de Junho na história como o dia em que os 4 cantos do mundo tiveram de respeitar nossa força e nossa voz. De lá pra cá a luta LGBT conquistou, à base de suor e lágrimas, o fim de algumas leis violentas e preconceituosas, o direito ao nome social, o direito a doação de sangue, o reconhecimento de nossas uniões e outros tantos avanços. Mas ainda assim, precisamos continuar lutando de punhos erguidos, contra os
tempos de violência e intolerância que persistem em nos atacar.
Bolsonaro e todo sua áurea doentia e violenta, pretende continuar com um mundo que está sendo combatido, um mundo de morte, violência e intolerância. O capitão afastado faz isso excluindo os cidadãos brasileiros LGBTs de todas as políticas públicas pensados por esse (des)governo, desmantelando políticas já existentes e alimentando uma lógica genocida sobre o nosso povo. A ascensão da política e lógica de Bolsonaro pra dentro da sociedade brasileira tem uma consequência imediata: a legitimação de violências construídas pela cultura machista no Brasil. Nas ruas, nas casas, nos ambientes virtuais, a violência é um projeto que vem dando cada vez mais resultados para Bolsonaro, que anda ceifando cada vez mais vidas no Brasil.
Em tempos de quarentena, as pessoas LGBTs têm enfrentado cada vez mais
situações de violência dentro de suas próprias casas, tudo para se proteger da incerteza que é viver uma pandemia global alimentada pela falta de planejamento de um governo sem rumo.
Sabemos que no momento atípico que vivemos, um grande número de cidadãos LGBTs têm se exposto ao perigo do coronavírus, fazendo o papel do Estado, e socorrendo seu próprio povo já em situação de risco nas ruas brasileiras. Na última terça-feira, dia 23, perdemos uma mulher gigante, uma heroína, uma brasileira batalhadora pelo seu povo.
Amanda Marfree, mulher trans de 35 anos que trabalhava como orientadora sócio educacional no Centro de Referência e Defesa da Diversidade (CRD) em São Paulo, contraiu COVID-19 ao atuar junto à população que mais precisava e faleceu fazendo o que o Estado de São Paulo e o Governo Bolsonaro se recusam a fazer: proteger o povo. A morte de Amanda tem culpados e nós jamais esqueceremos seus nomes.
Para além disso, o que enfrentaremos no contexto pós pandemia, um quadro ainda incerto, mas já de dificuldade econômica anunciada e de crescente número de desempregados nos alarma ainda mais. Nós sabemos quem são os primeiros a serem ainda mais marginalizados e afetados pelo desemprego desde o início, nós sabemos qual população é escanteada a situações de extrema violência, precarização trabalhista e vulnerabilidade social.Tudo isso, essa dinâmica cíclica de destruição de nossas vidas faz parte de um projeto, o principal projeto de Bolsonaro, o projeto genocida de exterminar aqueles que pensam diferente. Por isso, neste dia 28 de Junho temos que continuar gritando por respeito e direitos.
Temos orgulho de ser quem somos, lutamos para viver como somos e mais uma vez berramos: ser LGBT é ser contra o governo Bolsonaro, é defender a vida de cada um, amando quem amem, sendo quem são.
Diretoria LGBT da UNE
Ingrid Guzeloto
Gabriel Luna
Ludmila Brasil
Lucas Gertz