Ex-coordenadores falam da experiência formativa e de viabilizar o maior festival estudantil de cultura e arte da América Latina

Um encontro de gerações do Cuca da UNE se reuniu para ao Seminário do Cuca da UNE no começo da tarde de sexta-feira (22/7). Histórias e causos de décadas de uma das iniciativas mais revolucionárias da entidade.

Influência direta do CPC da UNE que nos anos pré-ditadura movimentou a cultura do país e lançou as principais obras e artistas de diferentes linguagens no país, o Cuca é o principal vetor da construção das bienais da UNE nos últimos vinte anos.

“A ideia seminal do Cuca, vai ser arredondado e apresentado, e acatado e vai passar a existir a partir da 2ª Bienal em 2002. De alguma forma, eu fiz parte dessa concepção mais geral do Cuca e fui a primeira coordenadora nacional”, conta Priscila Lolata, professora da Faculdade de Belas Artes da da UFBA e integrante da primeira geração do Circuito.

Fotos: @vickmtts

Doutoranda no programa de pós-graduação em cultura e sociedade da UFBA, ela atualmente tem como tema de pesquisa as políticas culturais da UNE por meio da Bienal da UNE. E defendeu a importância de um memorial das bienais e do cuca da UNE e buscar essas gerações e gerações de estudantes que digam o que fazer parte do Cuca mudou na sua vida.

Gente como a atriz e cineasta, Ana Petta, que afirma que foi a partir do que viveu no Cuca e no movimento estudantil que soube como queria existir. “Essa ideia de falar da gente, da nossa trajetória, para mim faz muito sentido, porque eu acho que sou formada por duas coisas, o movimento estudantil e o teatro, tudo que eu sei, o que me mobiliza eu conheci nesses dois lugares”, afirmou.

Os ex-coordenadores do Cuca compartilharam suas experiências formativas, no realizar e organizar mostras, ou simples manifestações artísticas críticas dentro da universidade e como isso mudou gerações.

Camila Ribeiro, ressaltou que possibilitar que o Cuca seja um espaço de viabilização para quem tá começando na arte, já é mágico. “Tem um monte de estudante que vai se apresentar pela primeira vez, alguém nunca foi em um show grande, alguém que nunca foi no cinema, nunca entrou numa galeria de arte. Então a Bienal é o lugar para primeira vez para muita gente, um espaço riquíssimo, e o que mais podemos ajudar é em viabilizar esse espaço”.

E continuou: “Se através do Cuca a gente potencializa essa produção a gente consegue mudar o mapa da cultura brasileira, talvez essa seja a maior tarefa do Cuca nesse momento”.

Philipe Ricardo, educador popular, produtor cultural de Pernambuco lembrou do “estado de decadência que estamos”, o momento político no país.

“O nosso papel é mostrar o que esse mundo poderia ser, o que nosso povo poderia ser, o que nós somos e somos diminuídos. Esse é o papel da arte”, afirmou.

Bienal em tempos de pandemia

Manuella Mirella, atual diretora de Comunicação da UNE e ex- coordenadora do Cuca lembrou sua experiência em realizar a última bienal, a “bienal do fim do mundo”.

“ Com todo respeito as outras, aqui tá a geração que construiu a maior bienal da história, 19 pré-bienais online no Brasil. Foi a força dessa galera, que fez a gana da gente construir a 12ª bienal “Brasil o povo que resiste” e podia ser estudante, povo que resiste”, destacou.

E continuou: “Essa bienal continua online no YouTube da UNE. Cada bienal marca sua história, mas acredito que a 12ª teve papel fundamental, que daqui para frente nenhuma será igual. E eu tenho certeza que esse Cuca de Guerrilha que surge, é porque a gente vai ter que ir para guerra e vamos derrotar Bolsonaro”.

Confira nosso artigo sobre Mapa-Múndi