Encontro acontece nos dias 04 e 05/10 na capital paulista e vai apresentar um plano de ação do movimento estudantil nos próximos meses
Aconteceu na noite dessa quarta (4/10) na Escola Nacional Paulo Freire em São Paulo, o primeiro encontro da gestão completa da UNE eleita para a condução da entidade pelos próximos dois anos no 59º Conune, o congresso da volta ao presencial, que aconteceu em Julho deste ano.
O Seminário de Gestão acontece até quinta-feira (5/10) e reúne estudantes de todas as regiões do país para traçar um panorama de quais os desafios a entidade vai enfrentar no próximo período.
“É nosso papel organizar esse projeto de brasil que coloque no centro uma educação de qualidade e também identificar o nosso inimigo: a extrema direita”, destacou a presidenta Manuella Mirella.
Manu também destacou a necessidade da entidade em propor reformas estruturantes para o ensino e pesquisa para que a universidade seja instrumento no desenvolvimento nacional. “Para que a universidade serva sobretudo ao povo brasileiro que há um ano atrás estava na fila do osso, que teve que largou a universidade porque teve que escolher entre entregar Ifood e estudar”.

Mesa diretora da UNE / Foto: @kboughoff
A vice-presidenta Daiane Araújo saudou a geração colorida que assume essa composição desse ano. “A alegria de ver a diretoria da UNE se renovando com tanta gente diversa que representa o conjunto dos estudantes brasileiros”. E afirmou: “tenho certeza que todos os nossos sonhos vamos transformar em tarefa e luta em cada território das universidades desse Brasil”.
A secretária-geral, Julia Kopf, também destacou a pluralidade de movimentos dentro da UNE como algo estratégico, e afirmou a necessidade de elencar as prioridades. “Precisamos fritar muito a cabeça e pensar como a gente vai executar todos os nossos projetos. Tarefa é o que não falta, melhoria para os estudantes precisamos de muitas, temos uma série que coisas que queremos, e somos muitos capazes de conquistar. Tenho certeza que com a UNE o Brasil pode muito mais e vai muito mais para a frente”
Extrema direita: inimiga número um
A mesa de conjuntura trouxe convidados para ajudar a analisar o cenário político. A conclusão foi de que existe uma crise do capitalismo que tem levado ao crescimento de forças autoritárias, acompanhada de uma crise climática que afeta ainda mais aos povos e territórios dos países periféricos do mundo. E que a questão racial e de gênero são fundamentais no combate ao capitalismo.
Para o ex-presidente da UNE e economista Iago Montalvão, existe um redimensionamento dos blocos de poder do mundo, tanto nas disputas da hegemonia global como domésticas que abrem fissuras na classe dominante. “Está sendo uma oportunidade para o Brasil poder desempenhar esse papel de articulador internacional e sobretudo, de articulador de um campo dessa multipolaridade que precisa enfrentar o imperialismo”. De acordo com ele é nessa agenda internacional que o presidente Lula tem cumprido seu papel mais progressista.

Iago, ex-presidente da UNE / Foto: @kboughoff
Paulo Henrique, historiador, e integrante do Movimento Brasil Popular destacou vitórias importantes desde Conune, realizado em Julho deste ano que afirmou permitem dizer que o campo progressista tem colocando a extrema direita na defensiva.
E elencou a inelegibilidade de Bolsonaro, a vitória política e ideológica na CPI do MST, na educação a abertura de diálogo do MEC sobre o novo ensino médio fruto de mobilização dos estudantes. “Acho que essa vitória sinaliza o caminho que deve ser relação da UNE com o governo federal, uma relação de pressão. Não tem problema em ser uma relação de pressão, o que a gente não pode é se equivocar na compreensão do nosso inimigo, que não é o governo federal”.
E enfatizou: “quem não sabe com quem luta, não pode vencer”.
Pedro Augusto da Federação Única dos Petroleiros, destacou a necessidade da juventude lutar contra o aumento da violência policial, contra o genocídio da população negra.
“Em São Paulo, no Rio de Janeiro e na Bahia nesse momento as forças policiais não correspondem a postura política dos governos dos locais, porque existe infelizmente a direção das forças policiais por parte de uma leva fascista, que organiza, que ficou perceptível com a tentativa de golpe no dia 08 de Janeiro”. E afirmou: “as forças policiais seguem sendo dirigidas pelo bolsonarismo”.

Fotos: @kboughoff
Governo de Coalizão
Vivian Mendes, Unidade Popular, Comissão familiar de mortos e desaparecidos, ponderou sobre a importância dos movimentos sociais e do movimento estudantil na defesa da democracia e do governo que ajudaram a eleger, mas também ao mesmo tempo é preciso entender qual é o papel a desempenhar agora na luta de classes que se acirra.
“Precisamos lutar e derrotar o avanço das políticas neoliberais no nosso país. E não podemos colocar nossas fichas que um governo de coalização vai ser suficiente para resolver isso”, alertou.
Ela lembrou das ‘reformas da morte’, como a reforma trabalhista. “Ela é a roupagem democrática de um trabalho escravizado hoje no Brasil, e está aí firme e forte, e parece que está consolidada. Nós não podemos aceitar isso como consolidado”.

Foto: @kboughoff
Arthur Mendes, Advogado, é preciso se organizar nas bases para disputar o Congresso Nacional, para eleger os nossos deputados e as nossas bancadas. “Aí sim fazer um confronto direto daquela transformação social que todo mundo aqui defende e quer. só através desse método que efetivamente vamos ter nesse governo de coalização capacidade de defender o projeto de país que queremos”.
Por isso, para ele a UNE é fundamental para organizar os estudantes, os Cas, os Das, DCEs, as mentes e corações dos estudantes, que sabemos que tem muitos estudantes que não quer mais saber de política, que estão desesperançosos, desacreditados e não confiam mais, por causa do bolsonarismo.
“Precisamos atrair esses estudantes para o nosso campo, para defender o projeto de educação que temos como pauta, uma universidade publica gratuita de qualidade para todos e para todas”.