Coordenador Geral do DCE UFBA e Diretor de Políticas Educacionais da UNE, Arlindo Neto, fala sobre como a falta de orçamento nas universidades tem afetado os bolsistas. Leia o artigo:
O ano de 2022 foi marcado por intensas lutas em defesa da educação e da democracia. As universidades e os estudantes foram eleitos como inimigos do governo Bolsonaro, foram diversos ataques: desde o orçamento à nossa produção acadêmica. Nesse sentido, para além do sucateamento da educação, é importante aprofundar o debate sobre aqueles que
são os mais atingidos com todos esses ataques: estudantes cotistas que necessitam da política de assistência estudantil para permanecer na universidade e continuar os estudos com qualidade. Com o aumento dos cortes, estamos vivenciando também o aumento de casos de adoecimento mental entre os estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica. É urgente debater qual a política de saúde mental precisamos construir.
Mas, principalmente, reforça a importância de que debater saúde mental nas universidades é debater Assistência e permanência estudantil. Com o avanço da política de cotas, implementadas nos governos Lula e Dilma, e que nesse ano de 2022 completam 10 anos, o Brasil teve as suas universidades pintadas de povo, com os filhos e filhas da classe trabalhadora ocupando a academia e disputando a produção do conhecimento. Essa é uma conquista histórica, mas que também carrega consigo o desafio nesse processo de transformar o Plano Nacional de Assistência Estudantil (PNAES) em Lei.
O debate da permanência estudantil perpassa pela questão estrutural, mas também sobre a Assistência estudantil. Estar numa universidade pública, em cursos com carga horária que muitas vezes nos impossibilita de conciliar com trabalho e em situação de vulnerabilidade socioeconômica, é extremamente adoecedor. É estudar sem ter a certeza de que terá o dinheiro para pagar aluguel, transporte, alimentação, xerox e afins. E com os imensos cortes no orçamento da Educação, tem sido cada vez mais difícil que as universidades consigam abarcar o conjunto de estudantes que têm perfil para ser
contemplados com auxílios nos editais de Assistência Estudantil, entretanto não são devido ao número limitado de vagas que caiba no orçamento. O que tem colocado muitos dos nossos estudantes a optar por dar prosseguimento no sonho de ser o primeiro da família a se formar numa universidade pública ou se abandona para recorrer ao mercado de trabalho e ter uma renda mínima.
Os números da evasão estudantil nas universidades brasileiras são gritantes. E em sua maioria, são ocasionados por falta de estrutura financeira para que os estudantes desenvolvam o seu potencial nas universidades. É nesse sentido que o movimento estudantil tem a tarefa de conseguir fortalecer o debate sobre Assistência e Permanência Estudantil. Apresentar a construção de Núcleos de Apoio Psicopedagógico nas unidades universitárias, fazer o enfrentamento à docentes que reproduzem práticas autoritárias, construindo acolhimento aos estudantes que sofrerem assédio de qualquer tipo e, principalmente, lutar para que tenhamos recomposição do orçamento para a educação, para que assim nenhum estudante precise abandonar a universidade por vulnerabilidade socioeconômica. A nossa luta é para que ninguém fique para trás. Bolsonaro: pague nossas bolsas! Não existe a menor possibilidade de ter saúde mental com fome, e quem tem fome tem pressa. Por isso, o nosso lema é: nenhum centavo a menos para a educação. Denunciar os Cortes e esperançar um novo projeto de educação para que em 2023 possamos dar um passo à frente na reconstrução do Brasil!
* Arlindo Pereira de Souza Neto é Coordenador Geral do DCE UFBA e Diretor de Políticas Educacionais da UNE.
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