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Selecionxs na Mostra de Literatura produzem seus próprios livros em oficina

09/02/2019 às 14:12, por Bruna Rocha.


Por meio da cartonagem autores vão produzir 200 livros com seus próprios textos

Autonomia editorial e criatividade literária, duas faces de uma mesma moeda: Cartonagem. Mas não qualquer moeda, e sim uma moeda de troca, colaboração e autonomia. A Cartonagem é uma técnica de produção artesanal com papelão, que vem sendo cada dia mais uma alternativa ao mercado editorial para quem quer mergulhar no mundo literário. Foi pensando nisso que a XI Bienal da UNE realizou, na manhã desta sexta-feira (8/2) uma oficina para que xs aprovadxs na Mostra de Literatura pudessem aprender a produzir seus próprios livros.

A oficina foi ministrada por Tiago Ribeiro, do coletivo Sociedade da Prensa, para quem o movimento de passar adiante essa técnica é uma estratégia de resistência e manutenção da criatividade em tempos de crise. “O pensamento das cartoneiras é o pensamento do aproveitamento do material de uma forma especial: com baixo custo mas com valor agregado que é o de mobilizar uma rede de colaboração, por exemplo com cooperativas de catadores de papelão”, explicou. Tiago, que já teve outras participações na Bienal da UNE em outras áreas, a experiência de ministrar a oficina foi gratificante. “É muito legal ver as pessoas que tem o amor pela literatura e não imaginavam que poderiam publicar seus trabalhos, de repente verem que é possível, com as próprias mãos, com os recursos possíveis, construir caminhos para a materialização de seus livros”.

O sonho de publicar o próprio livro foi o que levou André Medula ao encontro da Cartonagem, no ano passado. O jovem escritor de Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco, foi buscar ensinamentos de costura com a avó para publicar o seu primeiro livro. Junto ao coletivo Controvérsia Urbano, vem traçando uma rota de escritas por dentro do que chama de “literatura periférica” ou “literatura marginal”. André, em parceria com o companheiro de Coletivo Luiz Amaik e uma escritora baiana, Deise Oliveira, escreveram uma proposta e foram selecionadxs para a Mostra de Literatura, com seus respectivos livros: ‘Amarelo Queimado’, ‘ETC’ e ‘Eu Sou Melancolia, Sensualidade e Timidez’. “É uma alternativa a esse mercado editorial tão esmagador, que muitas vezes não dá oportunidade para artistas periféricos. Essa forma de tá produzindo você mesmo seu trabalho é uma forma de emancipação”.

Emancipação foi a palavra e o impulso que tirou Sol Saldanha de uma relação abusiva e a levou de volta para os braços da literatura. A estudante de Letras, natural de Currais Novos (RN), aprendeu a amar poesia com o Avô, que era cordelista. “A minha escrita é muito intimista. Eu falo muito de quem eu sou, de como eu vivo, do que eu gosto, do que eu acredito, porque para além de um ato de resistência, para mim a escrita é um ato de re-existência”, explicou a escritora que teve dois trabalhos aprovados na Bienal e que acredita que o maior orgulho foi poder representar a poesia seridoense.

A tarefa final da oficina foi confecionar livros com a coletânea de trabalhos selecionados, batizada ‘Aláfia’. Cada estudante produziu dois livros, dos quais um fica com cada artista e o outro vai para a feira Livro Livre, um projeto de distribuição e compartilhamento de livros na XI Bienal da UNE.

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