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Ruy Cézar? Presente! Estudantes homenageiam presidente da reconstrução da UNE

10/02/2019 às 21:40, por Bruna Rocha com edição de Cristiane Tada .

Homenagem com os ex-presidentes da UNE e a família de Ruy César
Fotos: Cuca da UNE

UNE, UBES e ANPG honraram a memória do primeiro presidente da UNE após a Reconstrução da entidade em 1979 durante encerramento da 11º Bienal

Um reencontro com o Brasil também significa um reencontro com a história do movimento estudantil brasileiro e foi com esta perspectiva que a UNE, UBES e ANPG encerraram os trabalhos da 11ª Bienal lembrando de um dos maiores ícones da trajetória do movimento estudantil, o baiano Ruy Cézar. Primeiro presidente eleito por voto direto, após a reconstrução da UNE em 1979, e um dos protagonistas da saída da entidade da ilegalidade, o homenageado foi um educador profundamente comprometido com a luta social e entusiasta da relação entre o movimento estudantil e a arte.
Ruy Cezar foi preso e torturado durante a ditadura militar por causa de seu jornal universitário do curso de Jornalismo da UFBA, o Faca Amolada, onde se dedicava à crítica ao autoritarismo daquele regime político. Após sua experiência na UNE, Ruy se engajou ainda mais na luta educacional e cultural, fundou a casa Via Magia, criou a Rede Latinoamericana de Produtores Culturais, foi peça-chave na construção do Fórum Cultural Mundial e em 2015, recebeu a homenagem póstuma da Ordem do Mérito Cultural. Faleceu em Junho de 2013, aos 57 anos.

A homenagem contou com a participação de familiares de Ruy, a viúva Rô Reyes e o filho Diogo Reyes, os ex-presidentes da UNE Carina Vitral, Javier Alfaya e Ricardo Capelli; a presidenta, a vice e o secretário-geral da UNE, Marianna Dias e Jessy Dayane; da ANPG, Flávia Calé, Manuela Matias e Flávio Franco, o presidente da UBES Pedro Gorki, e o antropólogo e fotógrafo Milton Guran.

“Uma alegria muito especial voltar para Salvador anos depois da primeira Bienal. A gente sempre quis que a primeira fosse uma semente para a segunda. A UNE tem papel fundamental nesse momento do país, como bem disse o Fidel naquele Conune”, Lembrou Ricardo Capelli, o Presidente cuja gestão foi a primeira a realizar uma Bienal. “O que tá em debate hoje é se vamos ter democracia ou não. A questão central não é apenas de comportamento e de costumes, de debate na escola, mas sim de desmonte completo da educação”, lamentou.

A viúva de Ruy, emocionada, também fez uma saudação na mesa de homenagem. “Eu cumprimento toda mesa e todos vocês com muita emoção e com muita alegria, porque Ruy sempre acreditou que a gente deveria realmente conectar a cultura com os movimentos sociais. E eu acho que é isso que vem sendo as Bienais da UNE, ou seja, o legado continua, a luta continua e o desafio de vocês agora é muito grande”, apontou, dialogando com um plenário com mais de três mil estudantes.

Na mesma linha, Guran, que lançou o livro Salvador 1979 – Salvador 2019 nesta Bienal, um relato fotográfico do Congresso de Reconstrução levantou a energia do Plenário, no Ginásio Poliesportivo de Cajazeiras, em Salvador. “Nós não vamos apenas resistir. Nós vamos avançar. Nós vamos transformar. Nós vamos revolucionar! Porque aqui reside a maior força do povo brasileiro”, defendeu.

No final do ato, os e as convidadas foram agraciadas com uma placa em homenagem a Ruy Cezar, e uma carta, recitada pelas lideranças estudantis que agradece o legado do ex-presidente, arrancou lágrimas dos familiares e estudantes.

“… querido amigo, viemos até a Bahia para te dizer que nunca vamos desistir. Quem nos persegue hoje também já esteve com o ódio no seu encalce. É quem se acovarda nos coturnos da ditadura. É quem não aguenta juventude em luta. Quem tem medo da nossa voz e se esconde na crueldade da mordaça. Querem ferir a nossa existência, amigo, mas não deixaremos a nossa união sucumbir…”.

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