Ato do 60º CONUNE reúne milhares de estudantes em protesto contra Trump, Bolsonaro e o genocídio do povo palestino.

Nesta sexta-feira, 18/7, Goiânia foi palco de um dos momentos mais emblemáticos do 60º Congresso da UNE: um grande ato contra o imperialismo, que reuniu mais de 10 mil estudantes em uma marcha vibrante e combativa que saiu do Estádio Serra Dourada e finalizou no Goiânia Arena, na região sul da capital. 

Para a presidenta da UNE, Manuella Mirella, a juventude brasileira não pode se calar diante das ameaças à soberania do país. “É hora de ocupar as ruas de Goiânia para mostrar a força da juventude que sempre defendeu nosso país”, afirmou. Ela também repudiou a influência estrangeira nos rumos da política nacional: “Abaixo o imperialismo! Nós não aceitaremos que Trump ou qualquer outro, que acha que é dono do mundo, venha interferir aqui no nosso país”, concluiu Manu.

O ato aconteceu horas depois de uma notícia histórica: Jair Bolsonaro passou a usar tornozeleira eletrônica por determinação do ministro Alexandre de Moraes, como parte das investigações sobre a tentativa de golpe de Estado. A decisão também aponta para articulações ilícitas da família Bolsonaro, com o apoio direto de Donald Trump, visando sanções estrangeiras contra autoridades brasileiras, em especial do Supremo Tribunal Federal.

A reação dos estudantes foi imediata. “A gente está aqui organizando os estudantes de cada canto desse país para dizer que chega de genocídio na Palestina, chega de genocídio do povo brasileiro, porque é a mesma bala que mata inocente em Gaza que mata inocente no Brasil”, afirmou Hugo Silva, presidente da UBES.

Com forte presença de movimentos sociais, o protesto também denunciou o massacre promovido pelo Estado de Israel contra o povo palestino, que já contabiliza o maior extermínio proporcional de crianças da história, segundo dados citados por Ualid Rabah, presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil (FEPAL). “Exterminar mães e crianças significa esterilizar uma sociedade. Isso nunca foi feito nem nos tempos mais brutais da humanidade”, declarou Rabah.

A vice-presidenta da UNE, Daiane Araújo, foi direta ao relacionar o avanço da extrema-direita no Brasil às estratégias do imperialismo norte-americano. “Se Bolsonaro chegou à presidência, foi porque tivemos 10 anos de intervenção dos EUA na política brasileira. Lutar pela prisão dele é também enfrentar o imperialismo estadunidense”, afirmou. Para Daia, é papel histórico da UNE colocar a soberania dos povos no centro da luta estudantil.

No palanque, ao lado de Manuela Mirella, presidenta da UNE, a secretária-geral Júlia Kopf celebrou o simbolismo do dia: “Hoje, Bolsonaro vai carregar uma tornozeleira eletrônica. Vai começar a pagar pelos seus crimes: o crime de golpe, o crime do genocídio na pandemia. Ele não acreditou na força dos estudantes, mas a conta chegou”. Ela também criticou os ataques de Trump ao Brasil, afirmando que “o patrão de Bolsonaro também vai pagar caro”.

A vice-presidenta da ANPG, Amanda Oliveira, destacou que a luta por soberania não pode ignorar a solidariedade entre os povos. “Não aceitaremos nenhum golpe de Estado, nem aqui, nem em lugar nenhum do mundo. A soberania do Brasil está ligada à soberania do povo palestino, à autodeterminação de todos os povos”, afirmou.

A manifestação foi marcada pela irreverência dos estudantes que entoavam palavras de ordem, abriram bandeirões, e trouxeram bonecos representando o presidente americano e o Bolsonaro, como forma de denunciar as investidas imperialistas no Brasil e no mundo.


Os estudantes encerraram o protesto com gritos de “Palestina livre, do rio ao mar”, “Fora Trump” e “Bolsonaro na cadeia já”, reafirmando que o movimento estudantil não recuará diante das ameaças à democracia e à soberania. 

*Por Mayra Bortone

Fotos: Vitória Oliveira, Brunno Martins, Junior Lima e Scarlet Rocha