Sábado de debate trouxe diversas ex-diretoras da UNE hoje em cargos eletivos para traçar planos para combater a violência e avançar em igualdade

O primeiro debate do 10º Eme da UNE neste dia 08 de abril, na Faculdade de Engenharia da UFJF falou sobre os caminhos para avançar na conquistas de direitos das mulheres no Brasil.

Depois de anos de retrocesso que o último governo deixou de legado, a pauta do combate à violência voltou a ser central. De acordo com as estudantes o momento político novo, exige uma universidade nova para as mulheres também.

Bruna Brelaz Foto: @kboughoff

“Que nós tenhamos acesso as salas de aula, às pesquisas, que nossas pesquisas dialoguem com os nossos territórios e que nós consigamos sair plenas e vivas na universidade, que não é o que acontece hoje. A violência está nos excluindo da sala de aula”, destacou a Janaína Correia, da UJS.

Para a diretora de Mulheres da UNE, Carol Azevedo, as mulheres foram protagonistas nesse processo de retomada da democracia, de derrota do fascismo. “Agora temos um desafio ainda maior de organizar um programa não só que nos caiba, mas que estejamos no centro para formular essas políticas”.

Foto: @kboughoff

Da União Brasileira de Mulheres, a veterana no movimento feminista Maria das Neves destacou a geração de mulheres presentes na mesa que saíram da UNE para ocupar espaços de poder. Ela afirmou que a reconstrução do Brasil perpassa por defender a vida das mulheres nas universidades. “A universidade não pode e não será terreno fecundo para o feminicídio. Queremos as mulheres vivas e com diploma na mão”.

Ela destacou a necessidade de construção de uma política nacional de enfrentamento às mulheres nas universidades em conjunto com o recém-criado Ministério das Mulheres. “Estivemos reunidas na semana passada com a ministra Cida Gonçalves para falar dessa ação inédita que enviou um abraço a todas mulheres universitárias do EME”.

Mulheres, negras e negros sendo expulsos da universidade

Moara Saboia, vereadora de Contagem e ex-presidenta da UNE destacou a centralidade da pauta das mulheres na política afirmando que quando esse país for melhor para as mulheres, ele será melhor para todos. “A agenda das mulheres é a agenda do povo brasileiro”.

Ela celebrou a ocupação feminina em vários lugares no executivo e casas legislativas. “É recorde o número de mulheres que estão à frente de políticas fundamentais e que mulheres são essas? Vocês estão vendo aqui um pouquinho desse retrato, essa não é uma mesa de debate de negros e negras, mas tem uma maioria de mulheres negras aqui”.

Vereadora Moara Saboia Foto: @kboughoff

Moara enfatizou o trabalho dos coletivos feministas e negros para construir uma universidade aberta a receber essa população.

“Quando a juventude negra estava sem emprego, quando o povo brasileiro voltou a passar fome, quando os índices de desemprego estouram, a gente é expulso da universidade sem precisar rever a política de cotas. Quando a gente fala de permanência, quando a gente volta a morrer dentro desse espaço por ser estuprada, a gente está sendo expulsa novamente desses espaço”, afirmou.

Ela finalizou defendendo que a tarefa hoje é construir a base, os coletivos, conversar para fora dos muros da universidade, conversar com a sua cidade, com a população.

Pautas estruturantes

A codeputada estadual da bancada feminista do PSOL de São Paulo, Simone Nascimento, foi junto com as companheiras de mandato as mulheres pretas mais votadas do Brasil.

Ela defendeu que é papel das estudantes feministas cobrar avanços, impulsionar e dar uma “mãozinha” para o presidente fazer tudo que ele precisa fazer. “Nós somos o lado que vai botar muita pressão e muito peso para o Brasil ir ao feminismo, para o Brasil encarar de frente os problemas e rachaduras que estão escancaradas nesse país fraturado”.

Deputada Simone Nascimento Foto: @kboughoff

E lembrou da estudante assassinada e estuprada na Universidade Federal do Piauí em Janeiro deste ano que mostrou de acordo com ela o estrago que vivemos hoje nacionalmente. Simone ressaltou que a universidade não é uma bolha, ele reflete os problemas da sociedade e de todo o processo de violência que temos enfrentado. “Então precisamos não só pensar em investimento em educação para o próximo período, mas também pensar maneiras de fazer que as universidades e cada espaço que a juventude frequenta possa ser espaço que se fale do combate à violência contra a mulher, que tenham espaços de acolhimento, equipe, educadores que estejam preparados para acolher e não se calar”.

A deputada estadual, Dani Balbi, primeira transexual eleita na Alerj, defendeu que o papel da organização das lutas das mulheres é serem protagonistas de enfrentamento. A parlamentar afirma que os debate de todas as pautas estruturantes se correlacionam com todas as pautas das mulheres e dos segmentos mais marginalizados e vulneráveis. “Somos a maior parcela da classe trabalhadora, então quando a gente vai discutir novo arcabouço fiscal, uma nova política de hidratação das áreas estratégicas para superação das desigualdades sociais, investimento nas universidades e retomada do processo de expansão, popularização e robustecimento desse investimento nós estamos discutindo sobre a parcela da população que é mais expressiva nas universidades e fora delas”.

Deputada Dani Balbi Foto: @kboughoff

Dani afirmou que são as necessidades das mulheres que precisam estar no centro de um projeto de governo popular e emancipacionista.

“Não haverá revolução para a classe trabalhadora, não haverá discussão profunda de reestruturação do marco fiscal, ou de reorganização da administração pública sem que as mulheres sejam protagonistas e entendidas na sua diversidade”, finalizou.