Ex-diretora de mulheres , Elaine Monteiro, e 1° Vice presidenta da UNE, Caroline Lacerda, saúdam a eleição da primeira presidenta negra de entidade. Leia o artigo:
A resistência à ditadura militar, os levantes antirracistas, as lutas antifascistas, o combate ao neoliberalismo, todas essas lutas fazem parte da história da União Nacional das e dos Estudantes (UNE), que é marcada por um sólido e coeso compromisso com a democracia no Brasil. Ao longo dos 84 anos de existência da UNE, apenas 2 anos e 3 meses foram presididos por estudantes negros, Orlando Silva e Moara Correa. Mesmo com a população negra sendo 56,10% do povo brasileiro (PNAD 2019), universitários negros e negras ainda têm dificuldade de se ver representados nas direções das entidades estudantis, que reproduzem o lugar do privilégio branco.
A história da população negra é transpassada por marcos de violências, mas não só: nossas trajetórias apontam como mulheres comuns lutam cotidianamente para construir caminhos de superação das violências que nos são impostas. Nas últimas décadas, a implementação das políticas de ações afirmativas foi significativa na vida e formação de estudantes negros/as e de classes populares, que conseguiram, finalmente, adentrar o espaço acadêmico. Neste processo, jovens negros e negras tiveram acesso a visões de mundo emancipatórias.
As trajetórias históricas que nos trazem aqui são acúmulos de saberes e resistências que nos fazem enfrentar a renovação da direção da UNE como uma vitória para todo o conjunto das/os estudantes brasileiros/as. No dia 18 de julho deste ano, dia de comemoração ao aniversário de Nelson Mandela, Bruna Brelaz, foi eleita presidenta da UNE iniciou seu discurso potente saudando o movimento negro e apresentando como a UNE pauta a luta antirracista como um pilar fundamental para a sua organização.
A história da UNE se confunde com a história das lutas por igualdade social no Brasil, é uma história de orgulho, que marca cada um e cada uma que passa por ela. A concretização de espaços de auto organização, como as nove edições dos Encontros de Mulheres Estudantes da UNE e as 7 do Encontros de Negras/os e cotistas da UNE, refletem na composição de suas gestões o processo que vivenciamos de pintar a universidade de povo.
Nós, mulheres negras, estamos na base de construção dos movimentos antirracistas e feministas. É hora de nos aquilombar. Em um Brasil presidido por um genocida, as mulheres pretas estudantes apontam uma solução: Fora Bolsonaro! E frente aos desafios da nossa conjuntura, resistindo e transformando, em nome da tese do movimento Kizomba “Mais do que resistir, é hora de revidar”, saudamos a eleição de Bruna à presidência da União Nacional das e dos Estudantes.
*Elaine Monteiro é ex-diretora de mulheres da UNE (2019-02021) e mestranda em História social da cultura pela PUC- RIO e Caroline Lacerda, estudante do Bacharelado Interdisciplinar em Humanidades da Unilab e 1° Vice presidenta da UNE (2021-2023).