DCE da UFRGS pode ser multado em até 400 mil em tentativa clara de calar estudantes por parte do governo municipal 

O DCE da UFRGS está sendo ameaçado. Os estudantes receberam nesta terça-feira (28/8) uma autuação da Prefeitura Municipal afirmando que podem ser multados em até R$ 400.000 por organizar e participar do ato do dia 17 de agosto em comemoração ao dia do estudante e em defesa do meio passe estudantil, direito que o prefeito Nelson Marchezan (PSDB) novamente ameaça retirar. Os estudantes tem até 30 dias para se defender.

O ato que reuniu quase 20 mil pessoas no Centro de Porto Alegre foi uma manifestação da Jornada de Lutas da Juventude em defesa da educação e contra o projeto de revisão do meio-passe encabeçado pelo governo municipal. O site da UNE chegou a fazer matéria sobre o projeto que visa acabar com o direito estudantil.

“O DCE está muito firme em escrachar Marchezan nessa criminalização do movimento estudantil, assim como acontecia na época da ditadura. Começamos uma campanha nas redes e hoje vamos nos encontrar com demais movimentos sociais. Também temos passado em sala de aula denunciando e recolhendo assinaturas em um abaixo-assinado”, afirmou a coordenadora geral do DCE, Gabriela Silveira, estudante de Agronomia.

A ação da prefeitura está amparada em uma lei totalmente arbirtrária aprovada em 2017. Um dos coordenadores da UEE-Livre Dr Juca, Filipe Eich explica que desde o ano passado a entidade procurou o Ministério Público para lutar contra “esse absurdo de lei” encaminhada pelo prefeito, mas não adiantou e ela foi aprovada. Nela consta que é preciso avisar as autoridades municipais antes de se manifestar.

“ Não temos como negociar com algo desse tipo, vamos denunciar e não vamos pagar. Manifestar-se é um direito legítimo garantido pela Constituição”, afirmou Filipe.

Essa é a primeira vez que uma entidade do movimento estudantil é penalizada, mas outras entidades sindicais da cidade já foram notificadas. Em nota o DCE da UFRGS divulgou que o prefeito tem medo dos estudantes e que eles não pedirão “permissão” para lutar.

“Desde o início do mandato de Marchezan, os movimentos sociais vêm denunciando os ataques que o atual prefeito vem promovendo, fizemos grandes mobilizações e barramos diversas tentativas de precarização e privatização do serviço público. Marchezan tem medo das e dos estudantes, das e dos trabalhadores, medo do povo, e por isso tenta a todo custo criminalizar os movimentos sociais”, diz trecho. E continua: “Marchezan não nos calará!”.