Leia artigo de opinião assinado pelas diretoras de Mulheres da UNE sobre evento idealizado pela ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos

Desde o anúncio dos ministérios, Damares tem sido uma das principais caras do governo Bolsonaro, cumprindo o papel de representar conservadorismo que selou a aliança para a eleição do presidente e que tem sustentado sua gestão genocida. A ministra protagonizou alguns episódios marcantes como o reforço dos papéis de gênero através da famosa frase “menino veste azul, menina veste rosa”, além da tentativa de impedir que uma menina de 10 realizasse um aborto garantido por lei.

Vale lembrar, que Damares Alves já começou a gestão dizendo que seu principal objetivo era aprovar o Estatuto do Nascituro, sendo também uma grande articuladora do decreto 10.570, que criou a “Estratégia Nacional de Fortalecimento dos Vínculos Familiares”, instituindo o “Comitê Interministerial da Estratégia Nacional de Fortalecimento dos Vínculos Familiares”, presidido pela ministra, com uma política absolutamente conservadora, reafirmando o lugar da mulher como cuidadora e responsável natural pelo trabalho reprodutivo, inclusive trabalhando com o conceito de família exclusivamente branca, heteronormativa e cristã.

A política executada pela ministra Damares Alves nada tem a ver com as necessidades das mulheres estudantes do país, nem das famílias, que hoje são muito diversas, incluindo as famílias LGBTs e aquelas formadas apenas por mãe e avó, por exemplo, que não seguem o modelo nuclear. Além disso, sabemos que é impossível que este ministério responda às necessidades de luta por diretos humanos. Se Bolsonaro é a favor da tortura, do assassinato e da censura, como seu governo poderia respeitar os direitos humanos?

Diferente da conferência de saúde, que é garantida na Constituição e é puxada por outro modelo institucional, a Conferência de Mulheres se dá pela articulação com o governo. Neste sentido, como crer que a Conferência puxada por esta gestão vá resultar em acúmulos diferentes do que já vêm sendo apresentado desde 2018? Bolsonaro e seus aliados já manifestaram diversas vezes não ter apreço algum pela democracia ou pelos acúmulos dos movimentos populares, pelo contrário, sua relação com a atuação militante tem sido de perseguição e censura.

Acreditamos que essa convocação é mais uma tentativa de colocar contra a parede os movimentos e entidades comprometidos com a vida das mulheres, além de usar a nossa presença para legitimar um espaço que certamente culminará em sínteses conservadoras, que é a única visão de mundo que este governo dá ouvidos. Acreditamos que nossa postura deve ser de denúncia da política conservadora e genocida encampada pela ministra e pelo conjunto do governo. Se entendemos que este governo é genocida, antipovo e contra as mulheres, nosso papel não é de sentar e dialogar, e sim de enfrentamento nas ruas, nas redes e nas universidades.

Damares e Bolsonaro são inimigos das mulheres!

Elaine Monteiro é diretora de Mulheres da UNE.
Paulinha Silva é diretora de Mulheres da UNE.
Jessica Rebouças é diretora de Mulheres da UNE. 
Sarah Domingues é diretora de Mulheres da UNE.