Artes digitais rompem a barreira da galeria e estudantes selecionados na 13ª Bienal da UNE mostram do que sua criatividade é capaz

As obras selecionadas da Mostra de Artes Visuais da 13ª Bienal da UNE tem manifestações artísticas com um olho no passado e outro no futuro. A mistura de técnicas e a inspiração nas diferentes realidades regionais vão marcar a diversidade que estará presente nesse pequeno leque do quem tem sido produzido pelos estudantes Brasil afora.

As obras estarão expostas permanentemente durante os quatro dias do festival, de 02 a 05 de fevereiro na Fundição Progresso no centro do Rio de Janeiro. A Vernissage da Mostra que inclui os estudantes selecionados e também uma Mostra Convidada com artistas renomados acontecerá já no dia 02, das 15h às 16h na Laje e Mezanino do mesmo espaço.

>Confira AQUI a programação da 13ª Bienal da UNE.

O coordenador da Mostra, Marjory Williams, elogiou o potencial das obras.

“Tivemos um pouco mais de 90 trabalhos inscritos, com uma qualidade muito boa, apesar de muitos não seguirem critérios que eram requisitos para a seleção sobre os eixos temáticos, ainda assim com muita qualidade”, afirmou.

Os trabalhos deveriam se encaixar em núcleos temáticos de: ancestralidades, fé, afetos, diversidades e territórios.

Trabalhos de territórios são destaque como a obra CyberMangue da estudante de Artes Visuais da Universidade Federal de Pernambuco, Ariel Guerra, uma mesclada identidade periférica com o mangue.

A artista digital afirmou estar agradecida pela oportunidade de mostrar a sua arte.

“Nunca imaginei conseguir apresentar meu trabalho em uma Mostra, então está sendo uma experiência massa. Estou ansiosa para chegar e ter essa vivência. Ainda mais sendo um trabalho que representa tanto a minha cidade, as áreas da cidade que eu moro”, ressaltou.

CyberMangue foi feita em 2020 e inspirada no movimento do Amazofuturismo, do artista João Queiroz. Além disso, Ariel mistura referências do movimento manguebeat e ao grafite e a arte de rua que artista também tem no seu repertório.

A ideia é que o trabalho vire um gibi. “Eu já estou no processo, produzindo as páginas e deixando tudo pronto. Tive ajuda no roteiro, mas os desenhos estou fazendo sozinha.”

O trabalho do estudante da Universidade Federal do Pará (UFPA) Nagib Silva é ilustração digital sobre fotografia, chamada Tucunduba que também vem da sua realidade na periferia. O nome veio de um rio de Belém do Pará, que deu origem a dois bairros da cidade. O artista conta que a obra fala das narrativas que estão em torno desse rio e das lendas amazônicas.

“É muito importante ter o meu trabalho exposto na Bienal porque vou poder falar da forma de vida da amazônia urbana, que é Belém, vou poder discutir questões sobre a periferia, sobre saneamento básico, sobre preservação da natureza nos meios urbanos, e sobre a ancestralidade amazônica através das lendas que eu resgato e reconto através da minha perspectiva de um jovem negro, cotista da universidade de arte e que está produzindo narrativas visuais”, explica.