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“Pelo direito de estudar”, por Liz Filardi

01/02/2021 às 13:46, por Cristiane Tada.


Diretora de Universidades Privadas da UNE, Liz Filardi, fala sobre evasão e a preocupação com a qualidade de ensino nas universidades particulares em tempos da Covid. Leia na íntegra:

O primeiro semestre de 2021 começou e com ele, também começaram os problemas para os estudantes de universidades privadas. Em 2020 lutamos durante todo o ano para garantir que os estudantes das universidades privadas pudessem continuar estudando, com qualidade no ensino e acesso as plataformas digitais que foram implementadas, muitas vezes de forma amadora pelas instituições de ensino. Passamos por diversas dificuldades, desde a demissão em massa de professores, dificuldades com o MEC pela liberação das listas de espera do PROUNI, aumentos nas mensalidades, mesmo em um momento tão sensível para a vida financeira das famílias brasileiras, decorrente a crise econômica gerada pela pandemia do Coronavírus, salas virtuais super lotadas e o constante risco da inadimplência, que fez com que muitos estudantes acabassem por evadir do ensino superior por conta do endividamento junto as IEs.

Dois grandes desafios para o ano de 2021 no ensino superior privado estão relacionados ao índice de evasão e endividamento dos estudantes, que cresceu exponencialmente durante o período da pandemia e o impacto que a mesma gerou nas pequenas e médias instituições de ensino, que acarretou, em alguns casos, na compra dessas IEs por grandes grupos mercantilistas da educação.

Desde o principio da pandemia do Coronavírus, alertamos quanto ao risco do crescimento do índice de evasão do ensino superior e de endividamento dos estudantes. Estudos realizados pelo SEMESP, ainda em 2020, apontam como causas do aumento da inadimplência o crescimento do desemprego, a redução da renda de parte dos trabalhadores e as dificuldades de acesso ao crédito estudantil, que também contribuiu para o atraso nas mensalidades.

Em 2021, novos estudos apontam que cerca de 4 milhões de estudantes abandonaram, durante a pandemia, escolas e universidades, desde o ensino fundamental até a pós-graduação no Brasil, sendo destes 16,3% estudantes do ensino superior e majoritariamente no ensino superior privado. Pode-se compreender como evasão a situação em que um aluno deixa os estudos em um ano e não se matricula no ano seguinte.

Os últimos dados oficiais sobre evasão publicados pelo MEC são de 2017/2018, que coincidentemente, param de existir após a implementação do projeto de Bolsonaro de acabar com a educação pública no Brasil, para mercantilizar cada vez mais o acesso a educação, que deveria, na verdade, ser um direito garantido. Porém os números acima apresentados foram obtidos através de levantamento sobre abandono escolar, que faz parte de uma série de pesquisas encomendadas pelo C6Bank para entender os impactos da pandemia no Brasil e divulgados pela Folha de São Paulo em janeiro de 2021.

Outro grande problema está relacionado aos impactos da pandemia nos caixas das pequenas e médias faculdades (problema esse que também já havia sido alertado em 2020) o que ainda no ano passado acarretou na compra de instituições destes portes por grandes conglomerados mercantilistas da educação.

Nesses casos, a preocupação está relacionada a manutenção da qualidade de ensino, oferta de disciplinas, fechamento de cursos e demissões em massa de professores, retenção de documentações dos estudantes, entre outras.

A UNE, desde março de 2020 vem disponibilizando sua assessoria jurídica a estudantes que se sentiram lesados em situações como essa, inclusive, quanto ao grupo Ânima, reunimos estudantes de todo o Brasil de outras instituições que foram compradas por eles e passaram por problemas listados acima e entramos com processos judiciais quando necessário.

Relatos de estudantes, já em 2021, apontam os mesmos problemas em instituições compradas pelo mesmo grupo que mantém a Universidade Estácio de Sá, como denunciado pelo COEPSI (Fortaleza – CE) na UNIFANOR e pelos próprios estudantes da Estácio na Bahia.

Fica claro que os desafios para os estudantes das universidades privadas em 2021 serão tão grandes quanto os de 2020, porém, o que está em jogo agora é se conseguiremos ou não realizar o sonho da graduação, por isso, precisamos cada vez mais nos organizar e conhecer nossos direitos enquanto estudantes, lutar pelo direito de estudar é lutar por toda uma geração de jovens que conseguiu entrar na universidade e quer sair dela, formada. É lutar para que o acesso ao ensino superior não esteja nas mãos elitizadas de poucos e sim da classe trabalhadora, que recebeu o direito ao acesso a educação superior e quer continuar tendo.

Não podemos ser a geração que ficará de fora da universidade em um momento em que se prova no dia a dia que esta é fundamental para o desenvolvimento econômico, científico e social do nosso país.

*Liz Filardi é diretora de Universidades Privadas da União Nacional dos Estudantes. 

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