Mesa que avaliou conjuntura no 6º ENUNE refletiu sobre avanços e táticas contra retrocesso na luta contra o racismo

O debate da manhã deste sábado (20/4) no 6º ENUNE da UNE falou sobre a conjuntura política atual.

Entre os convidados, um encontro de primeiras negras eleitas para mandatos políticos. A vereadora da cidade Araraquara no interior de São Paulo, Thainara Faria afirmou que em seu ponto de vista os negros hoje estão sendo exterminados porque romperam uma lógica de submissão e escravização.

Ela reforçou o que acredita ser o papel da juventude negra nesse momento político. “Nós entramos pra universidade e o que estamos devolvendo pra comunidade?”, questionou.

Para a vereadora o Enune é um espaço de privilégio e é preciso organização nas bases para um dia ter um presidente preto. “ Não adianta a gente estar aqui, ter consciência, e na nossa casa a nossa mãe não saber que tem que lutar contra as reformas que estão aí”.

A estreante na Câmara Municipal de Araraquara contou também que encaminhou uma proposta para a casa de que no mínimo metade do tribunal do juri sejam pretos. “Porque quando a gente chega lá o juri já condena a gente pela nossa cor”.

Já a vereadora de Niterói, Verônica Lima, também a primeira negra eleita na cidade voltou em sua fala ao ano de 2016 e lembrou o impeachment de Dilma. “Não foi um golpe contra o PT, mas um golpe contra um conjunto de direitos que viabilizamos nos últimos 10 anos de políticas públicas como bolsa família, Minha casa minha vida”. Para ela a vez agora são das cotas tão atacadas pela elite.

Eleita a mulher mais jovem a ocupar a Alerj, a deputada estadual Dani Monteiro, estudante da UERJ, acredita que essa ofensiva da nova direita não é uma ação, é uma reação. “Porque a gente é a juventude que foi para a universidade, mas que saiu do armário também e disse que não voltar, que não aceita voltar para senzala de jeito nenhum. A gente é a geração tombamento, geração da cores, das tranças, da batekoo, do rap, do trap, a geração internacional, que está respondendo”, afirmou.

E continuou: “estamos nos vendo no outro, sabendo da onde a gente veio, estamos nos vendo maioria quando me reconheço como jovem negro, e nós estamos respondendo para onde vamos, estamos sendo todos”. E citou o rapper BK “somos o novo poder”.

Impedir o estado de Exceção

A representante do Levante da Juventude, Thais Carvalho, explicou em sua fala como o racismo no Brasil se estrutura pela superexploração do trabalho e que o governo Bolsonaro apenas aprofunda isso. “Da escravidão até aqui, não é a toa que ocupamos os cargos de trabalho mais baixos, não é a toa que aprovaram uma reforma trabalhista de terceirização irrestrita”, ressaltou.

Ela também elencou outros pontos estruturantes como o encarceramento em massa e a despersonalização das pessoas negras, bem como a exclusão de elementos históricos de herança africana na composição da identidade nacional. “Os oitenta tiros foram no inominável, alguém que não tem história justamente para não haver solidariedade”, exemplificou.

Para Thais o objetivo de Bolsonaro não é só criminalizar a esquerda, mas sim construir uma nova ordem política de um estado de exceção permanente. “É nossa tarefa impedir isso”.

Edson França da UNEGRO destacou que o fato de Bolsonaro ter sido eleito pelo voto popular não dá a ele o direito de fazer o que quiser e que a maioria da população não apoia o fim da aposentadoria, por exemplo. “A luta antiBolsonaro comeca com 47 milhões de pessoas que não votaram nele, mais os que não votaram em ninguém. Mesmo o povo que votou nele, não votou por menos Estado, mas contra o PT”, afirmou.