Neste 20 de novembro, o diretor de Combate ao Racismo da UNE e diretor de Combate ao Racismo da ANPG fazem um chamado. Leia o artigo na íntegra:

Novembro é o mês que trazemos toda nossa memória de luta em defesa da vida do povo negro brasileiro. A União Nacional dos Estudantes e a Associação Nacional de Pós-Graduandos, por meio de suas diretorias de combate ao racismo, se colocam para celebrar a memória de nossos heróis e heroínas Negros (as), mas também para convocar todos(as) estudantes e pós-graduandos(às) negras (os) a se organizarem nas lutas do presente.

O Movimento Negro derrubou a falsa ideia de “democracia racial” no Brasil, forçando a sociedade a nomear a realidade dessa violência com seu nome próprio, o Racismo! A nossa tarefa central agora é radicalizar a democracia brasileira e para
isso, é preciso parar o genocídio do povo negro que afeta diretamente a vida da nossa juventude.

O sistema racista de organização do Estado brasileiro legitima as atuações das forças armadas de segurança pública nas favelas, terreiros e quilombos e essa violência desproporcional que humilha e menospreza corpos e territórios negros deve ser denunciada, assistimos com espanto e horror sequentes chacinas no Brasil como a Chacina do Cabula (BA), Chacina do Carandiru (SP), Chacina do Curió (CE), Chacina de Altamira (PA) e a Chacina do Alemão e da Penha (RJ) que registrou mais de 120 mortos e feridos.

A espetacularização da violência, seja no campo ou nas grandes periferias urbanas, transmitida diretamente em TV aberta e exposta na internet, é a prova irrefutável desse sistema vigente, que se confessa em voz alta ao permitir a eliminação física e simbólica da nossa população. Inspirados pela consciência negra que emana das periferias, dos assentamentos, dos quilombos, das terras indígenas e pela luta incansável do Movimento negro, reafirmamos que não existe democracia sem justiça racial, sem combate radical do neoliberalismo e ao projeto da extrema direita que segue operando morte como politica publica e extermínio do povo Negro e originário disfarçado de segurança publica.

Na conjuntura de fortalecimento dos dispositivos e instituições democráticas após derrota do bolsonarismo nas urnas em 2022, e de campanha pela soberania nacional, não podemos limitar o debate estritamente a questões econômicas. Pois democracia plena e soberania nacional só serão verdadeiramente alcançadas através da soberania de todos os Povos. Defender a soberania é, portanto, defender a autonomia dos territórios quilombolas e indígenas contra o garimpo e o agronegócio. É garantir a autonomia
dos nossos corpos contra a violência do Estado. É combater o racismo ambiental, que coloca nossa população, povos indígenas, quilombolas e a juventude negra e periférica na linha de frente dos impactos da crise climática. É dar ao povo brasileiro
condições de enfrentar a precarização da vida e do trabalho promovida pelo avanço do neoliberalismo mundialmente.

A política de morte não se dá apenas pela bala; ela opera pela precarização da vida, pela estrutura que nos adoece e nos expulsa. Por isso, lutamos pela permanência estudantil ligada diretamente às ações afirmativas, para isso é preciso garantir mais orçamento no Programa Nacional de Assistência Estudantil e universalizar a política de ações afirmativas na pós-graduação e no serviço público.
A responsabilidade histórica, neste Novembro Negro, é organizar nossas diversas juventudes negras. Nós, da União Nacional dos Estudantes e da Associação Nacional de Pós-Graduandos (as), entendemos que tornar a universidade um espaço democrático é também lutar por um PNE Antirracista em que todas as diferentes epistemologias sejam respeitadas.

Mobilizados pelas mulheres negras , que realizam a 2ª Marcha das Mulheres Negras em Brasília, no dia 25 de novembro, com o tema Reparação e Bem Viver nós, estudantes negros e negras da graduação e pós-graduação, estaremos nas ruas, universidades, favelas, aldeias e quilombos defendendo a aprovação da PEC da Reparação, que cria o Fundo Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade
Racial. Lutamos também pelo fim imediato da espetacularização das chacinas nas favelas usadas como instrumento de “segurança pública” e contra as invasões do garimpo e da mineração ilegal em Terras Indígenas e comunidades quilombolas.

Seguiremos afirmando: queremos todos e todas os jovens negros e negras vivos!
Defenderemos que queremos todos (as) jovens negros (as) vivos (as)!

*Angelo Teixeira, Diretor de Combate ao Racismo da UNE
*Paulo Henrique Ferreira, Diretor de Combate ao Racismo da ANPG