Deputados paulistas já realizam comissão que visa investigar repasses de recursos e o suposto ”esquerdismo” nas instituições
Depois do vice-líder do governo Doria na Assembleia Legislativa de São Paulo, o deputado Wellington Moura (PRB) criar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que pretende fazer uma ofensiva contra as universidades públicas do estado, é a vez do Rio de Janeiro embarcar na perseguição. Na última quinta-feira (30), deputados do Rio tentaram votar um projeto de CPI das universidades estaduais do Rio de autoria do parlamentar da casa Alexandre Knoploch (PSL).
A criação da CPI foi retirada da pauta após mobilização da comunidade universitária na Alerj, mas voltou a ser discutida nesta quarta (5). Docentes, servidores e estudantes protestaram contra a inconsistência do projeto de Knoploch.
“A tentativa de criar a CPI é um atentado contra as universidades. Estão a reboque da política do governo federal de atacar a universidade pública”, afirmou Rosineide Freitas, 1ª tesoureira da Regional Rio de Janeiro do ANDES-SN e docente da Uerj.
Em São Paulo, o objetivo da CPI divulgado no Diário Oficial é vago: “Investigar irregularidades na gestão das universidades públicas”. Segundo o autor, serão apurados gastos com professores e funcionários e o “aparelhamento da esquerda” na Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Universidade Estadual Paulista (Unesp).
Para Nayara Souza, presidenta da UEE-SP, as CPIs tem como pano de fundo intervir na indicação dos reitores, na autonomia e na sua liberdade, na gestão de recursos e criminalizar as atuais administrações, em vez de resolver questões muito mais importantes para a sobrevivências dessas instituições.
”As universidades públicas sofrem com falta de recursos, mesmo com sua expansão recebem o mesmo valor do ICMS há mais de vinte anos, sendo que é um imposto flutuante. Por que em vez de tentarem oprimir a liberdade de atuação das instituições, não pensam em mais recursos e um novo modelo de financiamento?, questiona.
Em defesa da autonomia e da liberdade nas universidades
A UEE São Paulo lançou no último dia 4 de junho uma campanha em defesa da autonomia das universidades.
Nos próximos meses haverá uma série de ações que inclui debates, atos e até o 41º Congresso da entidade, que acontece de 26 a 28 de julho, esse será um dos assuntos principais.
”A autonomia, conquista secular de universidades do mundo inteiro, é a garantia de que a produção de conhecimento e, portanto, o livre pensar, não podem ser submetidos a censura por parte de governos ou estados. Foi o exercício dessa garantia que possibilitou avaliações críticas ao pensamento hegemônico e o consequente avanço dos campos do conhecimento com o passar dos séculos. Sem aceitar a contradição e o questionamento de dogmas e do status quo, não haveria progresso da sociedade e da ciência”, diz carta assinada pela UEE-SP.
Confira na íntegra aqui.