Estudante da UFBA Átina Batista assume a entidade após congresso que reuniu mais de mil jovens em Ilhéus
O 11º Congresso da União Estadual dos Estudantes da Bahia (UEB) reuniu mais de mil estudantes na Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), em Ilhéus, entre os dias 29 e 31 de agosto. Foram três dias de debates, atos e atividades culturais que culminaram na eleição da nova diretoria que vai tocar a entidade pelos próximos dois anos.
Com 96,32% dos votos, a estudante de Bacharelado Interdisciplinar em Artes da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Átina Batista, 24 anos, foi eleita presidenta da UEB. Natural de Feira de Santana e criada no bairro de Tancredo Neves, em Salvador, Átina é diretora de um projeto social que promove cursos de moda, arte, cultura e ciência para fortalecer a juventude das periferias.

Lutas prioritárias
Entre as principais bandeiras de sua gestão, Átina destaca a necessidade de revisar e ampliar a lei de cotas nas universidades estaduais da Bahia (Uebas). “Queremos aumentar a porcentagem dentro das estaduais e estabelecer que a lei de cotas seja semelhante, maior ou igual à aplicada nas federais”, afirma.
Ela também vincula esse objetivo à aplicação do Plano Nacional de Assistência Estudantil (PNAES), aprovado no ano passado. Outro ponto central é a garantia de transporte intermunicipal para estudantes do campo. “Antes do Conueb tivemos uma audiência sobre isso e agora, no dia 9, teremos outra na Câmara Municipal de Salvador. Essa é nossa principal reivindicação”, reforça.

Juventude e segurança pública
A violência policial na Bahia, estado que figura entre os que mais matam jovens negros no país, também foi pauta do Congresso. Para Átina, não basta discutir apenas acesso e permanência nas universidades: “Precisamos falar também sobre segurança pública. A Bahia ainda está no topo do ranking cruel do assassinato de jovens negros, e isso torna o desafio ainda maior.”
A nova presidenta defende que o debate sobre segurança deve incluir políticas públicas de proteção à juventude, fortalecimento de projetos sociais e uma formação policial que dialogue com as questões raciais. “É importante que a PM enxergue a periferia não apenas como local de criminalidade, mas também como um centro de cultura e arte”, explica.

Perspectivas
Átina lembra que a Bahia é referência em políticas para a juventude, como o Mais Futuro e o Primeiro Emprego, mas considera que o desafio agora é ampliar iniciativas dentro da Câmara Municipal, da Assembleia Legislativa e do Conselho Estadual de Juventude.
“A UEB vai estar junto com outras entidades para pensar como tirar nosso estado desse índice perverso”, conclui.
