Leia nota oficial da UNE sobre a necessidade de reformulação do principal programa de financiamento estudantil do país
A UNE (União Nacional dos Estudantes) manifesta sua preocupação com o crescente acúmulo de vagas ociosas no principal programa de financiamento estudantil do país, o FIES. Essa realidade escancara uma desconexão profunda entre as políticas de financiamento e as necessidades reais da juventude brasileira. O problema não reside na falta de interesse pelo ensino superior, mas nas barreiras impostas pelo programa, como critérios excludentes, condições de pagamento insustentáveis e a ausência de uma articulação efetiva com o mercado de trabalho, que acabam por afastar milhares de estudantes do ensino superior.
O FIES, como política pública, desempenha um papel central na democratização do acesso ao ensino superior, ao possibilitar que milhares de jovens brasileiros, especialmente das camadas populares, ingressem em universidades e realizem o sonho de uma formação acadêmica. No entanto, a expansão do acesso precisa vir acompanhada de um compromisso inegociável com a qualidade do ensino, garantindo que os estudantes tenham acesso não apenas às vagas, mas também a uma educação que prepare de forma sólida para os desafios do mercado de trabalho e para o exercício da cidadania.
Para a entidade, o modelo atual do FIES impõe condições de pagamento que não dialogam com a realidade da maioria dos estudantes, resultando em um ciclo de endividamento que compromete o futuro de jovens ainda em fase de formação e que enfrentam desafios significativos para ingressar no mercado de trabalho.
A UNE reafirma a necessidade de uma reformulação urgente do programa. É fundamental que o FIES seja repensado para priorizar áreas estratégicas para o desenvolvimento nacional, como engenharias, medicina, áreas da saúde e licenciaturas. Essa reestruturação deve estar vinculada a políticas que garantam empregabilidade e ofereçam condições dignas de amortização para os estudantes.
Nesta edição, em especial, houve um atraso na publicação do edital do FIES do segundo semestre de 2024, o que acarretou a desistência e incompatibilidade com calendários de algumas instituições de ensino, causando a subutilização das vagas disponíveis.
A UNE seguirá firme na luta por um FIES acessível, justo e alinhado às necessidades reais da juventude brasileira, para que a educação superior seja um direito garantido e não um privilégio. É preciso enfrentar com seriedade os desafios do financiamento estudantil e promover políticas públicas que valorizem o acesso à educação como um pilar do desenvolvimento social e econômico do Brasil.
União Nacional dos Estudantes