Entidade afirma que reconhece constitucionalidade no processo eleitoral que elegeu Maduro
A União Nacional dos Estudantes, sendo fiel a sua história, de defesa intransigente da Democracia, da Soberania e da Autodeterminação dos povos, vem a público manifestar o seu repúdio ao posicionamento do governo brasileiro em relação aos fatos ocorridos no dia de hoje na República Bolivariana da Venezuela. O Brasil, que sempre manteve relações diplomáticas em busca de soluções perante conflitos externos, hoje desrespeita a história do Itamaraty ao se posicionar como o fez.
Consideramos que o quadro político venezuelano é grave, principalmente pela incessante tentativa de ingerência externa e constantes ameaças do governo dos EUA e seus aliados, que buscam, por todos os meios, desestabilizar o governo, democraticamente reeleito, de Nicolás Maduro, que tomou posse no último dia 10 de janeiro. Há anos a Venezuela sofre com o bloqueio econômico imposto sobre si e atualmente tem sofrido ainda mais fortemente com a ofensiva midiática que se intensifica mundo afora.
Afirmamos reconhecer a legitimidade e a constitucionalidade do processo eleitoral que conferiu a reeleição de Maduro para o período 2019-2025, que contou inclusive com a participação de uma significativa delegação de renomados especialistas Internacionais, entre eles o Instituto do ex-presidente estadunidense Jimmy Carter, entre outros. Não cabe a nenhum outro país ou organismo contrariar a vontade popular venezuelana que elegeu Maduro e segue em defesa de seu direito de escolha em relação à condução do país.
Denunciamos a irresponsabilidade de organismos como a OEA, que tem jogado um papel nefasto a serviço dos interesses do governo dos EUA.
O Sr Juan Guaidó, presidente da Assembléia Nacional da Venezuela, não representa solução aos problemas enfrentados pelo povo venezuelano. Pelo contrário, ao se auto-intitular presidente em exercício, burlando a própria constituição deste país, agrava a situação.
Nossa história é marcada na luta pela democracia, por isso somos contra qualquer iniciativa que atente contra o direito inalienável dos povos em decidir o seu próprio destino. É muito evidente que grande maioria do povo venezuelano optou por construir uma nação soberana, e isso devemos respeitar.
O nosso continente passa por uma grande ofensiva conservadora e nós, que sempre estivemos na linha de frente pelo bem estar das nossas sociedades, não podemos deixar de nos posicionar neste momento. Pois acreditamos na importância dos princípios de soberania e autodeterminação dos povos como fatores fundamentais para fazer da América Latina uma região independente e plenamente desenvolvida.
Os estudantes brasileiros se solidarizam com o povo venezuelano. E nosso anseio é que seus votos, suas instituições legítimas e constitucionais possam ser respeitados.
São Paulo, 24 de janeiro de 2019.
União Nacional dos Estudantes