Leia nota da diretoria de mulheres da UNE sobre os ataques que as mulheres na política brasileira têm sofrido:

Na última segunda-feira, 28 de agosto, Brisa Bracchi, vereadora pelo Partido das Trabalhadoras e dos Trabalhadores, foi explicitamente atacada no plenário da Câmara Municipal de Natal/RN por um ex-vereador da casa em uma reunião da comissão de Indústria e Turismo, com um discurso que desqualifica as ações do mandato e violenta, explicitamente, grupos minoritários, como a comunidade LGBTI+ e a juventude, que sempre estão presentes nas lutas e pautas encampadas por Brisa, que é uma mulher jovem bissexual.

Obviamente, esse não foi o primeiro caso de violência política de gênero. Vimos esse cenário ocorrer com Manuela D’ávila em 2020 e na campanha presidencial de 2018, com Maria do Rosário, em 2014, pelo então deputado Jair Bolsonaro, em 2018 com Marielle Franco, que além das inúmeras ameaças, foi brutalmente assassinada. Já mais recentemente,  a deputada Sâmia Bomfim teve o microfone desligado no meio de uma fala em plenário, Taliria Petrone e Célia Xakriabá foram violentadas em diversas situações de silenciamento, ameaças, imposição de autoexílio e tentativa de cassação de mandato. As deputadas federais Dandara e Erika Hilton seguem sofrendo interrupções em suas falas, assim como a vereadora Laiz Perrut, de Juíz de Fora/MG. 

O cenário também se repetiu com a deputada estadual Rosa Amorim, em Pernambuco e a vereadora Monica Benício na cidade do Rio de Janeiro que, através das redes sociais e e-mails constitucionais receberam ameaças de estupro corretivo. Assim como, a deputada federal Daiana Santos, do Rio Grande do Sul, que além de ter recebido ameaças de estupro coletivo, vem recebendo constantemente ameaças de morte motivadas de sua orientação sexual, também em suas redes. Portanto, as inúmeras violências sofridas por mulheres em cargos políticos são renovadas a cada dia pelo patriarcado, ou seja, é urgente o debate para que o Estado compreenda de forma central a proteção de nossas vidas. 

Não é surpresa que, ao se mexer nas estruturas patriarcais, os favorecidos por elas se revoltem, respaldados em todas as dimensões de violência. É desde “fale baixo, deputada!” até um golpe que destituiu a primeira mulher eleita a presidir este país. As mulheres são vítimas diárias dessa violência que tem em seu cerne o objetivo de silenciamento e desqualificação em relação à posição em que ocupam.

Brisa, Manuela, Rosa vêm do Movimento Estudantil ocupando cargos nas direções tanto da União Brasileira das e dos Estudantes Secundaristas (UBES) até a União Nacional dos e das Estudantes (UNE), tendo suas trajetórias atravessadas pelo movimento de mulheres, movimento LGBTI+ e movimento negro, o que as colocou especialmente como alvo das violências que nascem no patriarcado e se direcionam fortalecidas nos diversos espaços nos quais são apresentadas. 

Diante do ocorrido, que não se trata de um caso isolado, mas de ações sistemáticas nas quais diversas parlamentares mulheres, negras e LGBTI+ vem sofrendo, historicamente, nós, das entidades UNE e UBES, vimos prestar a nossa solidariedade a todas as parlamentares que sofreram e sofrem, diariamente, com a violência política de gênero, bem como repudiamos os ocorridos.

Como dizia Marielle Franco, “não serei interrompida. Não aturo interrompimento dos vereadores dessa casa. Não aturarei o cidadão que veio aqui e não sabe ouvir a posição de uma mulher ELEITA.” Seguiremos!

União Nacional dos Estudantes 

União Brasileira dos Estudantes Secundaristas