Deputada federal Celia Xakriabá , convidada do debate dos Povos Tradicionais, falou sobre bolsas permanência na 13ª Bienal da UNE
Celia Xakriabá, parlamentar eleita pelo PSOL-MG, foi uma das convidadas do debate sobre os Povos Tradicionais neste segundo dia de Bienal da UNE, na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro. Em entrevista para o site da UNE, ela contou que entrou no primeiro dia de mandato com a medida provisória reivindicando que o MEC incluísse a questão da educação quilombola, indígena e do campo que estava fora da proposta nacional.
“Desde GP de transição eu participei do levantamento de programas e os que foram mais recomendados ao MEC foi o bolsa permanência, porque não se trata somente de bolsa permanência, se trata de entender o quanto que a desigualdade social acaba nos colocando neste lugar de vulnerabilidade”, destacou.
A deputada também afirmou que o valor da bolsa, atualmente R$ 900 já não dá mais.
“É preciso revisar [esse valor], a inflação taí, cresceu todo o custo de vida, como os estudantes vão para as capitais e para a universidade e ainda nesse desafio de sair inteiro.
Eu falo que a nossa luta é muito mais do que sair formado em quatro anos, é sobretudo sair inteiro. A universidade tem que criar outros mecanismos, como de boa convivência, quando os alunos cotistas passam por processos de racismo e violência muito maior”, explicou.

Foto: @danielabacaxi
Celia afirmou que solicitou com a ministra dos Povos Tradicionais Sônia Guajajara uma agenda com o Ministério da Educação para essa tratativa. A agenda deveria ter acontecido na semana passada, mas está agendada para a próxima semana.
Ela destacou também a importância da universidade para preencher com indígenas cargos dentro do ministério dos povos indígenas e do ministério da Igualdade Racial com a ministra Anielle Franco. ” É exatamente esses estudantes que vem da universidade pública que conseguem estar preparados para assumir o administrativo, a parte técnica, a parte de articulação política. Estamos preparados! Porque acreditamos que a universidade é a nossa própria luta”.
A parlamentar também comentou sobre a desigualdade dos cotistas no ensino superior.
“Sabemos que os estudantes indígenas e cotistas até entram com menos vantagem, mas saí muito melhor do que qualquer um outro, porque sempre somos questionados, parece que temos que ser melhores. E somos melhores, porque a desigualdade nos faz ser melhores”, afirmou.
E destacou ainda a necessidade da revogação do “novo ensino médio” implementado no governo Temer.”Entendemos que no século XXI precisamos de um ensino médio que prepare para a ponte do ensino superior”, finalizou.