Leia o artigo do diretor de Meio Ambiente da UNE, Paulo Gama, sobre a importância da questão ambiental nas eleições de Outubro: 

As eleições de 2024 são um marco decisivo para o futuro do nosso planeta. Em um momento crítico em que os impactos das mudanças climáticas se tornam cada vez mais evidentes, é fundamental que o Brasil eleja líderes comprometidos com a proteção ambiental e a justiça climática. Desse modo, devemos nos alertar sobre a importância de escolhermos candidatos que levem a sério a ciência, os conhecimentos ancestrais dos povos indígenas e o direito das futuras gerações a um planeta habitável.

Nós estudantes brasileiros estamos na linha de frente dessa luta. Somos a geração que já sente os efeitos das catástrofes ambientais e que herda a responsabilidade de reverter a crise climática. No entanto, nossa voz e nosso futuro estão sob ameaça quando líderes e
candidatos insistem em negar a realidade científica das mudanças climáticas. Esse negacionismo não é apenas ignorância; é uma ameaça direta à nossa educação, saúde e perspectivas de futuro.

A Amazônia, por exemplo, é um dos principais ecossistemas que regulam o clima global, e sua destruição acelerada tem consequências devastadoras para todos nós. A preservação dessa floresta não é uma questão apenas regional, mas global. Os povos
indígenas que habitam a Amazônia são os verdadeiros guardiões desse ecossistema, e suas práticas sustentáveis de manejo da terra são fundamentais para a manutenção do equilíbrio climático. Ignorar essas vozes e continuar com políticas reacionárias é ignorar a própria sobrevivência da humanidade.

Como estudantes, precisamos exigir políticas públicas que enfrentem a crise climática. Precisamos de investimentos em educação ambiental, pesquisas sobre tecnologias sustentáveis e a implementação de práticas que garantam a transição para uma economia
verde. Nosso futuro profissional e pessoal depende de um planeta saudável e habitável, e isso só será possível se formos capazes de eleger líderes que entendam a gravidade da crise e estejam dispostos a agir de maneira eficaz.

Além disso, a crise climática intensifica ainda mais as desigualdades sociais, afetando de maneira desproporcional as populações mais vulneráveis, entre elas, os jovens de comunidades periféricas, negros e indígenas. A falta de políticas ambientais justas impacta
diretamente a qualidade de vida e as oportunidades educacionais desses estudantes, perpetuando um ciclo de pobreza e exclusão, acentuando ainda mais a evasão escolar.

O tempo de promessas vazias acabou. Não podemos nos dar ao luxo de apoiar candidatos que priorizam lucros imediatos e interesses econômicos de curto prazo em detrimento da preservação do nosso planeta. A ciência é clara: estamos em um ponto crítico e as ações tomadas agora determinarão o futuro das próximas gerações. Por isso, é essencial que nós estudantes brasileiros estejamos conscientes do poder que nosso voto carrega. Não podemos permitir que negacionistas climáticos assumam o controle das decisões que afetarão nossas vidas e a vida daqueles que virão depois de nós. É hora de eleger líderes que tenham coragem de enfrentar a crise climática com a seriedade e urgência que ela demanda.

Seu voto tem poder. Não vote em quem nega a ciência. Não vote em quem ignora os sinais da terra. Não vote em quem compromete o futuro dos estudantes e do planeta. Juntos, podemos construir um futuro mais justo e sustentável.

* Paulo Gama é diretor de Meio Ambiente da UNE.