Presidenta da UNE, Manuella Mirella, está participando até amanhã (16/11) da cúpula dos movimentos sociais no fórum econômico

Neste ano, o G20 Social traz para o Brasil uma discussão essencial sobre o combate à pobreza e à construção de um mundo mais justo e sustentável. Enquanto movimento estudantil, propomos um espaço autogestionado para apresentar nossas preocupações e propor alternativas para transformar o Brasil. A questão central que nos une aqui é clara: como podemos mudar um sistema que coloca o lucro acima da vida e da preservação ambiental? 

Hoje, vivemos em um sistema de acumulação e produção desenfreada, que prioriza a concentração de riqueza às custas do meio ambiente e do bem-estar da população. Esse modelo econômico coloca em risco o futuro do planeta e prejudica profundamente a população brasileira, especialmente na região amazônica. É um sistema que nos afasta das escolas e das universidades, que nos quer como força de trabalho precarizada, sacrificando nosso futuro e o futuro do planeta para alimentar a ganância. O clamor atual pela redução da jornada de trabalho é um grito de basta. 

Entidades do movimento estudantil, UNE, UBES e ANPG participam do G20 Social / Foto: Divulgação

Essa situação não é exclusiva do Brasil, mas se repete em muitos países do sul global. Nossa Amazônia, por exemplo, é alvo constante de interesses estrangeiros que visam apenas extrair seus recursos, transformando o que deveria ser um patrimônio em mais uma commodity. Essa exploração revela uma lógica colonialista que ignora a importância das pessoas e do meio ambiente. Em um momento em que deveríamos estar avançando em termos de justiça social e inovação sustentável, continuamos debatendo temas básicos de preservação, apenas porque o sistema econômico vigente insiste em enxergar o planeta como uma fonte infinita de recursos.

Diante desse cenário, as universidades brasileiras têm um papel essencial a desempenhar. Não são apenas espaços de ensino, mas também de resistência e transformação social. A ciência que desenvolvemos no Brasil deve ser contextualizada, comprometida com a sociedade e voltada para a resolução dos problemas que afetam diretamente nossa população. Infelizmente, vemos uma crescente tentativa de importar soluções e contratar empresas estrangeiras para lidar com os desafios ambientais e sociais do Brasil, enquanto nossas próprias universidades – como a UFRGS e UFAM provaram – têm conhecimento e capacidade para propor alternativas específicas e adequadas às questões de cada região.

A criação de uma Universidade de Integração Amazônica é um exemplo de como podemos fortalecer a ciência local para transformar a realidade. Essa instituição teria o objetivo de oferecer aos estudantes da região, incluindo indígenas e quilombolas, um ensino superior que vai além do academicismo. Queremos uma ciência que esteja conectada com a realidade da sociedade brasileira. Por isso, propomos uma Reforma Universitária que valorize a universidade pública, gratuita, inclusiva e de qualidade como um pilar essencial para essa transformação.

Presidenta da UNE, Manuella Mirella, e estudantes apresentam projeto que busca capacitar jovens amazonenses em agentes ambientais/ Foto: divulgação

No G20, temas como a transição energética e a reindustrialização sustentável estão em debate, e nosso objetivo com a presença dos estudantes aqui é assegurar que o Brasil esteja na linha de frente dessas discussões, não apenas como fornecedor de matérias-primas, mas como um país que investe em sua ciência e em seu próprio desenvolvimento.

Como repetimos: “Nada sobre nós, sem nós.” O Brasil precisa se apoiar no protagonismo dos jovens e dos trabalhadores comprometidos em mudar a realidade da crise climática. Ainda podemos transformar o país, mas é necessário investimento e coragem para isso. No G20, estudantes, universidades e movimentos sociais estão mostrando que há um outro caminho — um caminho que coloca a dignidade do povo, a justiça e a sustentabilidade no centro de nossas escolhas.

Manuella Mirella

Presidenta da União Nacional dos Estudantes e estudante de Engenharia Ambiental na FMU.