Reivindicação dos estudantes é pela abertura de um novo edital e respeito à autonomia universitária
Estudantes da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) ocuparam o Campus da Liberdade, em Redenção, no Interior do Ceará e o Campus do Malês, em São Francisco do Conde, interior da Bahia, em protesto contra o cancelamento do vestibular exclusivo para pessoas trans e intersexuais. A ocupação foi decidida em plenárias realizadas na última semana após a suspensão ser divulgada pelo presidente Jair Bolsonaro por meio das redes sociais.
“A Universidade da Integração da Lusofonia Afro-Brasileira (Federal) lançou vestibular para candidatos transexual (sic), travestis, intersexuais e pessoas não binários. Com intervenção do MEC, a reitoria se posicionou pela suspensão imediata do edital e sua anulação a posteriori’’, afirmou a postagem do presidente na internet.
As inscrições para o vestibular haviam sido abertas no dia 15 de julho. Um dia depois, a prova foi cancelada. A Unilab havia ofertado 120 vagas em 15 cursos nos seus três campi, dois no Ceará e um na Bahia. Em resposta à suspensão, a instituição informou, em nota, que o edital do exame “vai de encontro à Lei de Cotas e aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e da ampla concorrência em seleções públicas”.
Universidade mais negra do Brasil
A Unilab é hoje uma das universidades com mais estudantes negros no Brasil. Foi criada em 2008 com o intuito de promover a integração entre o Brasil e os membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), especialmente os países africanos. A universidade também promove o desenvolvimento regional e o intercâmbio cultural, científico e educacional.
A instituição tem estudantes vindos de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. São mais de 6 mil alunos, sendo 50% das vagas reservadas aos africanos.
Para os estudantes, a ocupação tem o intuito de defender a universidade pública de mais um ataque promovido pelo governo.
‘’ [A decisão] feriu a autonomia universitária para estabelecer seus próprios mecanismos de acesso. É mais um ataque transfóbico do presidente que visa perpetuar a exclusão deliberada de uma população extremamente marginalizada do acesso à educação’’, diz a nota divulgada pelo DCE.
Uma nova assembleia no Campus Malês está marcada para acontecer nesta quinta-feira (25) a partir das 18h.