Por Ryan Rodrigues e Cristiane Tada
Mesa do 70º Coneg da UNE traz alternativas para fortalecer a voz da comunidade acadêmica
Segundo dia (30/7) do 70º Coneg da UNE, foi a hora da discussão sobre o papel do movimento estudantil na defesa da autonomia universitária. A diretora da UEE-RS e do DCE da UFRGS, Samara Garcia, destacou em sua fala que a luta pela paridade precisa ter como foco transformar o processo realmente em uma eleição, e não apenas uma consulta para reitoria. “Quando se nega a paridade estamos negando a voz da comunidade acadêmica”.
Ela lembrou que tanto o MEC do governo Bolsonaro quanto do governo Lula não aceitaram a decisão do CONSUN da UFRGS de destituir o atual reitor Carlos Bulhões, o último colocado da lista tríplice e indicado por Bolsonaro.
Garcia também acredita que é preciso defender a autonomia universitária, mas não como algo isolado da conjuntura “O fim do arcabouço fiscal e o fim do modelo 70/15/15/ [que impõe maior peso de voto aos docentes, em detrimento de estudantes e técnicos-administrativos] fazem parte da luta pela autonomia universitária”, destacou.
A diretora da UEE-RS e do DCE da FURG, Milena Boaretto, também colocou a paridade para eleições de reitoria e o fim da lista tríplice como essenciais para a autonomia universitária.
Ela deu o exemplo do orçamento participativo, política de participação popular implementada no Rio Grande do Sul, como forma de assegurar a autonomia universitária. “O voto dos estudantes não pode valer menos do que o de um professor ou um técnico, pois são os estudantes que desenvolvem a pesquisa na universidade”.

Movimentos unidos
A reitora da Unifesp, Raiane Assumpção, pediu unidade dos movimentos sociais para defender a universidade pública. “O momento estudantil deve procurar os reitores e reitoras de todo o Brasil para criar alianças em defesa da autonomia universitária”.
Ela trouxe ao debate o projeto de projeto de lei 255/2019, o “PL de Autonomia Universitária”, em tramitação no Congresso Nacional, e pediu atenção da UNE e do movimento estudantil para mobilizar pela sua aprovação. Assumpção reconheceu que o projeto de lei apresenta problemas, mas que sua aprovação é importante para avançar na autonomia universitária.
Cleiton Leite Continho, da Associação brasileira de juristas pela Democracia, criticou as universidades que paralisam seus processos democráticos e concorda que a reação está na união de forças. “Quando isso acontece, é necessário um posicionamento firme dos movimentos sociais”.

Presidenta da UEE-SP, Bianca Borges
Fortalecer o ME
A presidenta da UEE-SP, Bianca Borges, criticou a instalação da PM dentro da cidade universitária da USP. E lembrou do episódio em que o governador Tarcísio de Freitas levou a PM para dentro da Faculdade de Direito São Francisco para conter manifestação de estudantes contrários a ele no final de maio deste ano.
A Presidenta do Centro Acadêmico XI de Agosto da USP, Mariana Belussi, também lembrou do episódio da PM dentro da maior universidade paulista e cobrou do governo Lula que não deixe que os governadores pratiquem esse tipo de ato sem reação do governo federal.
Ela acredita que é importante o fortalecimento do movimento estudantil para garantir a autonomia universitária. “Hoje temos um enfraquecimento do movimento estudantil porque os estudantes não têm tempo de fazer atuação política por ter de trabalhar e fazer estágio ao mesmo tempo”.