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Mostra Literária: Sarau reúne poetas de todo o Brasil na 11º Bienal

09/02/2019 às 14:50, por Bruna Rocha.

Poeta recifense Adelaide Ivánova foi uma das convidadas

Estudantes selecionados e convidados dividiram o palco da literatura no terceiro dia de festival

A Mostra Literária da 11ª Bienal terminou com chave de ouro na noite de sexta-feira (8/2). Um sarau recheado com a diversidade da poesia brasileira homenageou a Mãe Stella de Oxóssi e reuniu poetas de norte a sul do país. Mediado por Philipe Ricardo, coordenador da Mostra, o sarau contou com a presença de Pedro Bomba, poeta sergipano que mora em BH, a pernambucana Adelaide Ivánova, e ninguém menos que Pieta Poeta, a vencedora do Slam Brasil 2018.

Com sorriso tímido e um olhar que parece ver longe, Pieta Poeta nos contou um pouco de sua história e como chegou à vitória do Slam Brasil. “Desde que eu aprendi a escrever, eu escrevo poesia sem saber o que é que era. Fazia poesia para os mosquitos que eu matava quando era criança e não entendia o porquê”, brinca. A moça, que representará o Brasil na Copa do Mundo de Slam, na França, começou sua trajetória no Coletivoz – Sarau de Periferia em Belo Horizonte, competiu pela primeira vez em 2016, no Slam das Manas, e não podia imaginar, naquele momento, onde ela estaria agora. “De lá pra cá me envolvi muito com a luta feminista, com a luta quilombola, trabalhar com oficina pedagógica nas escolas, e atualmente venho me dedicado ao movimento Slam, que ficou gigante em BH, sempre levando essas pautas que têm a ver com minha vida”.

Em 2017, Pieta contribuiu para a construção de uma antologia poética do Coletivoz – A Luta, A Voz – publicado pela editora Vienas Abiertas e, em 2018, lançou seu próprio livro de poesia, chamado Lua nos Pés. É no casamento da poesia com a cidade que Pedro Bomba constrói sua literatura, mas nem sempre foi assim: “Tudo começou na música, quando eu tinha uma banda de hardcore aos 15 anos de idade e comecei a pegar gosto pela escrita”, revelou. Tempos depois, Bomba montou um coletivo chamado Sarau Debaixo, que organizava um sarau embaixo de um viaduto em Aracaju e foi aí que começou essa reflexão entre literatura e direito à cidade. O poeta evidenciou a importância de haver uma mostra literária dentro da Bienal da UNE, especialmente no atual momento político.

“As propostas do governo Bolsonaro vem atacando os campos da Educação e da Cultura, então é importante ter uma Bienal de arte em Salvador, é muito importante que a gente estimule as pessoas a ser artistas, pois a arte é a possibilidade de fabular outros mundos”, disse Pedro.

Adelaide Ivánova, recifense e poeta, começou sua paixão pela escrita com o Jornalismo. “Eu tenho muita paixão pela escrita jornalística e quando eu escrevo poesia eu tento trazer esse aspecto do relato, da reportagem, para a escrita poética”, contou. O feminismo é também têm sido um mobilizador em sua escrita. Integrante do coletivo Respeita – um movimento nacional de poetas e slamers mulheres – a poeta é engajada na luta por direitos laborais dentro da poesia. “Não se leva a poesia a sério, não se considera um trabalho de escrever como um trabalho, e aí, nós mulheres que já não temos o trabalho de reprodução da vida reconhecido, somos duplamente negligenciadas e vulnerabilizadas”, explicou.

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