Maior encontro de DCEs do Brasil acontece nesta segunda (29) e terça (30) em São Paulo, na Unip-Vila Guilherme
Às vésperas da reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que vai versar sobre a taxa de juros praticada no país, o 70o Conselho Nacional de Entidades Gerais da UNE iniciou nessa segunda-feira (29/7) na Unip- Vila Guilherme, em São Paulo, com uma discussão pertinente sobre Menos Juros e mais educação. Representantes de várias entidades do movimento social e político do campo progressista levantaram alternativas para disputar os rumos da política econômica para sobrar dinheiro para a educação.

Diogo Santos, economista afirmou que o maior problema que o campo progressista está enfrentando é baixa capacidade de mobilizar a agenda que nos interessa. Para ele é essencial elevar a capacidade de pressão para fazer avançar a agenda de reconstrução do Brasil.
“Ou conseguimos aumentar a pressão para pressionar o governo, o próprio Congresso e mostrar que a nossa agenda tem o apoio concreto da sociedade, ou mesmo que a gente troque o presidente do BC, mesmo que reduza um pouco mais a política de juros, mesmo assim vai ser difícil colocar nossa pauta”. E explicou: “uma política que recupere o investimento em educação, nas universidades.”
Diogo elencou que é preciso mudar a meta de inflação, rever autonomia do BC, rever política do BNDS, rever a relação com o conselho monetário nacional e o comitê de política monetária, rever a relação BC e o o governo federal, mudar completamente o regime fiscal. “Nós sabemos o que precisa ser feito, a questão é preciso muita força política para levar nessa direção”.
Já Matias Rebello, representante do Ministério da Fazenda, defendeu que precisamos seguir pressionando para que a agenda conquista de direitos avance, mas também destacar a capacidade do estado de ser sim um instrumento transformador na vida do povo. “Esse é o momento mais crucial que a gente se coloca como alternativa à resposta fascista”.
Para ele, além de cobrar mais, também é papel do movimento social ser o portador dos avanços que estão sendo implementados e que não serão divulgados pela grande mídia, e não serão levados por outros movimentos políticos.

Legado nefasto de Juros
Pedro Augusto, Diretor da Federação Única dos Petroleiros e Sindipetro, destacou que a política de juros aplicada nacionalmente, é a continuidade de uma lógica que o Brasil foi colocado como um país periférico, mesmo tendo sido peça chave para o desenvolvimento do capitalismo através do trabalho forçado de negros e negras e povos originários. “É preciso enfrentar um legado histórico que imprimiu um nível de desigualdade abissal no nosso país que tem cara, cor, gênero, tem sexualidade e é contra essa norma que estamos nos insurgindo”.
Esteban Crescente, representante SindiUFRJ questionou: “Por quê o capital quer a taxa de juros no Brasil tão alto? Porque existe um sistema de domínio financeiro sobre o orçamento público.” Ele destacou que metade do orçamento brasileiro vai para juros e amortização da dívida pública e defendeu uma auditoria, que é prevista na Constituição. “Só este ano serão 700 bilhões para o pagamento os juros, sem amortização”.

Ubiraci Dantas, vice-presidente da Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB) afirmou que de 2023 para cá, o cenário do país é de terra arrasada, com a educação, o emprego e a agricultura sucateada. E criticou o arcabouço fiscal, que impede o investimento em maiores proporções em áreas sociais. Para ele colocar o pobre no orçamento significa mais jovens nas universidades, fortalecer a indústria nacional contra o capital financeiro internacional, é ter comida barata no supermercado. “Não podemos concordar em mexer no piso constitucional na Saúde e na Educação. Se o Lula não dá um pito público no Haddad, isso poderia ter virado lei”. E finalizou: “A forma é mostrar para ao governo o caminho com uma mobilização forte”.