Atividade levou participantes da Bienal para conhecer locais históricos fluminenses e de importância cultural 

Dezenas de estudantes de todo o país tiveram a oportunidade de viver uma experiência enriquecedora de visitação a territórios do Rio de Janeiro, durante o Lado C da 13ª Bienal da UNE, realizada de 2 a 5 de fevereiro, na Fundição Progresso, nos Arcos da Lapa.

A atividade que integra a programação do festival desde a primeira edição trouxe este ano nove circuitos, divididos em dois dias inteiros de passeios.

Na sexta (3), foi a vez de conhecer o Polo Tecnológico da UFRJ e o Complexo da Maré, o Laboratório Nacional de Ciências da Computação, a Casa de Santos Dummont e o centro histórico de Petrópolis; e o Observatório do Valongo e o Museu Nacional, no Rio.

Residente em Goiânia, capital de Goiás, a doutoranda da UFG, Luana Santos, 28 anos, aprovou o roteiro na cidade imperial.

“Achei uma experiência única pois uniu o útil – ciência, cultura, história – ao agradável e matando aquela vontade que todos temos quando vamos para eventos em um estado ou cidade que não seja a nossa de conhecer os pontos turísticos mais óbvios”, avaliou.

“Além de tudo, tivemos uma experiência incrível em uma oficina em que nos abrimos, nos conhecemos e colocamos nossos sentimentos e emoções expostos em forma de arte”, complementou Luana.

Também foram realizados dois circuitos em Niterói, englobando o conjunto arquitetônico de museus e equipamentos Culturais projetados por Oscar Niemeyer, incluindo o MACquinho, única construção do arquiteto numa favela (Morro do Palácio). A visita foi guiada pela comunidade Afrocultural Iyalodé.

Ainda na Cidade Sorriso, foi planejado um roteiro que privilegiou o contato com a natureza, numa trilha até a Área de Proteção Ambiental Morro das Andorinhas, que possui uma vista incrível da região oceânica de Niterói e do Rio de Janeiro, o Museu de Arqueologia de Itaipu (MAI) e a praia de Itaipu. A recepção ficou por conta do Quintal dos Pescadores.

Estreante na Bienal, o estudante de Serviço Social da Unioeste, Erik Teixeira, 24, se encantou com a vivência. “Achei uma boa sacada da Bienal porque levou vários estudantes para esses passeios. Pra mim, a experiência foi incrível. Amigos, amizades que eu fiz aqui dentro, lugares que eu conheci, as trocas que eu tive… Foi incrível”, elogiou.

Vindo do município de Toledo, no interior do Paraná, Erik relatou o que sentiu ao visitar uma espécie de casa de ‘acolhimento’ para mulheres quando os maridos iam viajar. “Você estar ali, imaginando o que aconteceu com essas mulheres, é algo bem pesado que faz você refletir demais em como o patriarcado construiu essa coisa que perpetua até hoje”, refletiu.

Já no sábado (4), a programação teve passeios nas Zonas Norte e Centro do Rio. Os lugares escolhidos foram o Complexo do Alemão, o Instituto raízes em movimento e o Centro de integração na serra da misericórdia no Complexo da Penha; um roteiro indígena, que contemplou o Museu do índio, Aldeia Maracanã, um Ritual do Maracá e um circuito afrocentrado que percorreu todos os pontos da Pequena África ( lar histórico da comunidade afro-brasileira na Região Portuária).

Outra experiência especial foi o roteiro que começou na estação de trem da Central do Brasil rumo ao berço do samba carioca, Oswaldo Cruz, mais uma visita à samba Portela. O ritmo, inclusive, embalou os estudantes durante o passeio, que fechou com chave de ouro com a tradicional feijoada na quadra da escola de samba.

Pós-graduando na UFRJ, o produtor Fellipe Redó, fez um balanço positivo da edição do Lado C deste ano. “A gente conseguiu levar estudantes do Brasil todo para nove circuitos do território da cidade do Rio de Janeiro, mas também das cidades de Petrópolis e Niterói. Isso foi também uma novidade”, analisou.

Ex-coordenador do Cuca da UNE, Redó explicou o papel transdisciplinar da atividade, que ultrapassa os muros da sede do festival. “A gente possibilita uma troca da ideia da extensão, de uma vivência mais próxima do conhecimento que é ensinado nas universidades e um diálogo com a realidade de cada local, com os saberes, sobretudo, de cada local”, ressalta.

“Num mesmo dia a gente fez uma visita no observatório do Valongo, que é um centro científico por excelência, depois a gente foi num terreiro, uma casa de umbanda. Então é outra forma de acessar o conhecimento”, acrescenta.