Exposição sobre história do informativo pode ser vista até dia 30/9 no Memorial da América Latina, em São Paulo

Um dos jornais universitários mais antigos do Brasil, O Politécnico, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), completa 80 anos em 2024, em plena atividade. Para celebrar a data, a Biblioteca Latino-Americana Victor Civita, do Memorial da América Latina, recebe até o dia 30 de setembro uma exposição de alguns dos exemplares históricos do jornal. Pela redação do O Politécnico passaram alguns estudantes da Poli-USP que mais tarde se tornariam figuras célebres nacionais, como o ex-governador de São Paulo Mário Covas (1930-2001), o ator Carlos Zara (1930-2002) e seu irmão, o ex-deputado federal Ricardo Zarattini Filho (1935-2017), o fotógrafo Thomaz Farkas (1924-2011), um dos pioneiros da fotografia moderna no Brasil, a empresária Cristina Junqueira, fundadora do Nubank, entre tantos outros nomes que contribuíram para o desenvolvimento econômico e cultural do país.

Além da exposição das edições históricas do informativo, no dia 18 de setembro, aconteceu um painel sobre o papel e a importância do jornalismo universitário na sociedade brasileira, com a presença de profissionais da imprensa e também de professores e alunos da USP, além da Secretária-Geral da União Nacional dos Estudantes (UNE), Julia Köpf; da Vice-Presidente da União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP), Giulia Castro; do Deputado Federal, economista especialista em engenharia de transportes e militante sindical, Carlos Zarattini; do Vice-Diretor da Escola Politécnica da USP, Sílvio Nabeta; do arquiteto, urbanista, escritor e professor titular de Planejamento Urbano na USP, Nabil Bonduki; dos editores-chefes do Jornal O Politécnico, Pedro Lanza e Diego Roiphe (também coordenador do evento e curador da exposição) entre várias outras autoridades.

Oitenta anos de luta pela liberdade de expressão

Fundado em 1944 por estudantes da Poli-USP, O Politécnico nasceu em plena ditadura do governo Getulio Vargas como um boletim informativo. Por ser um boletim, não podia receber anúncios para custear as despesas da publicação, mas nem por isso deixava de ser um informe combativo e atuante no meio estudantil e acadêmico já desde seu surgimento.

Nos seus 80 anos de existência, O Politécnico testemunhou, documentou e se posicionou a respeito de fatos históricos de grande importância para o país, como o movimento O Petróleo é Nosso, retratando as opiniões dos estudantes e o embate com a elite então chamada de “entreguista”; a Campanha Paula Souza para alfabetização de adultos, iniciativa dos alunos do Grêmio Politécnico da Escola Politécnica; o golpe de Estado de 1964 no Brasil, quando marcou sua forte presença no movimento estudantil, ao lado de movimentos de camponeses, operários e outros setores da sociedade, em oposição ao militarismo e à suspensão de direitos civis; a prisão de estudantes da USP durante o regime militar, no início dos anos 1970; o “show proibido” de Gilberto Gil na Poli, em 26 de maio de 1973, como denúncia da juventude universitária contra a repressão política e social da época; o movimento das Diretas Já, entre os anos de 1983 e 1985, para retomada das eleições diretas para presidente da República, que não ocorriam desde 1964, com a implantação do regime militar no país; até a aprovação da Constituição de 1988, conhecida como a Constituição Cidadã, que inaugurou um novo momento jurídico e institucional no Brasil, com a ampliação das liberdades civis e dos direitos e garantias individuais.

Até chegar à recente pandemia de Covid-19, quando alunos da Escola Politécnica, em conjunto com o Instituto de Física e a comunidade científica da USP, contribuíram não só com a divulgação de informações técnicas e médico-científicas confiáveis e com linguagem mais acessível à população geral mas também com a criação de ventiladores pulmonares artificiais e a manutenção corretiva desses equipamentos, que foram cruciais para salvar milhares de vidas no país. Essas e inúmeras outras contribuições importantes para a sociedade brasileira fazem parte da história do jornal O Politécnico.

Serviço:

A Biblioteca Latino-Americana Victor Civita fica no Memorial da América Latina, na Av. Mário de Andrade, 664, na Barra Funda, próximo à Estação Palmeiras-Barra Funda do metrô. Ela abre de segunda a sexta-feira, das 10h às 17h, no sábado, das 10h às 15h, e a entrada é franca.

Para mais informações:

Site do jornal O Politécnico: https://jornal.gremiopolitecnico.com.br/

Instagram do jornal O Politécnico: https://www.instagram.com/jornalopolitecnico