Estudante de geologia e ex-presidente da UNE foi perseguido e assassinado pela ditadura militar da década de 70 
O eterno ex-presidente da UNE, o goiano Honestino Guimarães, assassinado pela ditadura militar na década de 70, recebeu o título de geólogo post mortem pela Universidade de Brasília (UnB). A cerimônia de outorga aconteceu nesta sexta-feira (26/7) no Auditório da ADUnB, localizado no campus Darcy Ribeiro, em Brasília (DF). Após a anulação do ato que expulsou o estudante da UnB em 1968, o primo do líder estudantil, Sebastião Lopes Neto, recebeu o diploma post mortem de geólogo.

Cerimônia de diplomação post mortem ao líder estudantil Honestino Guimarães.

 “Nós, estudantes brasileiros, não temos medo, temos coragem de enfrentar qualquer um que atente contra os nossos princípios de democracia e liberdade. O legado de Honestino segue firme”, destacou a presidenta da UNE, Manuella Mirella na cerimônia.

Honestino ingressou na UnB em 1966 para cursar Geologia, período em que o país estava sob o regime militar instaurado pelo golpe de 1964, com restrição de liberdades civis e perseguição de opositores políticos. Na Universidade, se destacou por sua militância ativa e habilidade de mobilização, tornando-se uma voz crucial na resistência estudantil contra o autoritarismo.

Em 1968, ele assumiu a presidência do Diretório Central dos Estudantes da UnB e, posteriormente, em 1971, foi eleito presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE).

Cerimônia de diplomação post mortem ao líder estudantil Honestino Guimarães.

Após anos de luta e resistência, Honestino Guimarães foi preso pelo regime militar em 10 de outubro de 1973, e desde então, desapareceu sob circunstâncias nunca esclarecidas. Seu desaparecimento o transformou em um símbolo de resistência contra a opressão e sua memória continua a inspirar gerações de estudantes a perseguir a justiça e a transformação social.

Apenas em março de 1996, a família Guimarães recebeu uma certidão de óbito, mas foi só em 2013 que o Estado reconheceu sua culpa, ano que o jovem foi anistiado com pedido de desculpas oficial do Estado brasileiro, bem como teve a retificação do seu atestado de óbito antes incompleto. Reconhecida finalmente a causa da morte: tortura e atos de violência orquestrados pelo Estado. Até hoje não se conhece o local nem as circunstâncias de sua morte ou mesmo o paradeiro dos restos mortais.

Comissão da Verdade da UNE

Para iluminar o período mais nefasto na história brasileira e por sua importância como líder estudantil que deu sua vida à luta por seu País que o 29ª presidente da UNE foi escolhido para investigação da Comissão da Verdade da UNE, instalada em janeiro de 2013.

O relatório final apresentado dois anos depois, em março de 2015, envolveu consulta a diversos documentos da época, pesquisas acadêmicas, outros relatos, e informações sobre a trajetória do líder estudantil. O documento também recomenda uma série de ações para o desenvolvimento do caso, incluindo a convocação daqueles citados como responsáveis pela operação de prisão do estudante. Entre os nomes mencionados está o do coronel Paulo Malhães, que assumiu ter realizado torturas durante a ditadura e foi encontrado morto em abril de 2014, antes que pudesse ser questionado sobre o caso de Honestino.
” Nós nunca esquecemos. Sempre estivemos presentes nas reivindicações da revisão da lei da anistia que nunca puniu generais e torturadores da ditadura. Queremos memória, verdade e justiça”, afirmou Manu.