Nomes são ícones da cultura popular nas diferentes expressões culturais que o festival abarca

A 14ª Bienal da UNE, que começa no dia 29 de Janeiro a 02 de Fevereiro, em Recife e Olinda, presta homenagem a grandes nomes e símbolos que representam a riqueza cultural do Brasil em diversas linguagens artísticas. Da música à literatura, do audiovisual às artes do corpo, cada homenageado carrega em sua trajetória um legado de inovação, resistência e celebração da diversidade brasileira. De acordo com o coordenador geral das Mostras, Marjory Soares, os homenageados representam o encontro entre memória e inovação, tradição e resistência. “Cada um deles traz a força transformadora da sua arte, seu olhar a influência da rua em seus trabalhos, no momento histórico que viveram São inspirações para nós sobre o papel da cultura como expressão e motor de mudança social”, destacou.

Confira:

Mostra de Música

Álbum: Da Lama ao Caos
Homenageado: Chico Science & Nação Zumbi
Lançado em 1994, Da Lama ao Caos marcou o início de uma revolução na música brasileira, liderada por Chico Science & Nação Zumbi e o movimento Manguebeat. O álbum mistura ritmos como maracatu, hip-hop, funk e rock, unindo tradição e modernidade, denúncia social e poesia urbana. Faixas como A Cidade e Rios, Pontes & Overdrives ecoam até hoje como símbolos de um Brasil multifacetado.
Sobre Chico Science: Francisco de Assis França (1966-1997) foi um visionário que redefiniu a música pernambucana ao combinar ritmos locais com influências globais. Sua genialidade continua a inspirar gerações e a manter vivo o espírito do Manguebeat.

Mostra de Artes Visuais

Artista: Tamikuã Txihi
Homenageado: A resistência indígena através da arte
Tamikuã Txihi, artista indígena do povo Pataxó, traz em suas obras a força e a ancestralidade de sua cultura. Suas criações em pintura, ilustração e muralismo destacam símbolos sagrados e narrativas que promovem o diálogo entre tradição e contemporaneidade. Com cores vibrantes e traços marcantes, Tamikuã faz de sua arte uma poderosa ferramenta de valorização das identidades indígenas.
Sobre Tamikuã Txihi: Nascida na aldeia Coroa Vermelha (Bahia), Tamikuã é também educadora e ativista, utilizando sua arte para fortalecer a cultura de seu povo e sensibilizar sobre a luta indígena.

Mostra de Fotografia

Fotojornalista: Evandro Teixeira
Homenageado: O olhar que capturou a história do Brasil
Evandro Teixeira é uma lenda do fotojornalismo brasileiro, conhecido por registrar momentos cruciais, como a Ditadura Militar e as Diretas Já. Suas imagens vão além do instantâneo, transformando-se em documentos visuais que narram a história e as contradições do país.
Sobre Evandro Teixeira: Nascido na Bahia em 1935, Evandro é referência no jornalismo visual, com uma carreira que influenciou gerações de fotógrafos e revelou o poder da fotografia como ferramenta de denúncia e memória.

Mostra de Literatura

Poeta: Miró da Muribeca
Homenageado: A poesia das ruas e das periferias
Com versos diretos e carregados de oralidade, Miró da Muribeca transformou o cotidiano urbano em arte. Sua poesia, intensa e viva, aborda temas como desigualdade, amor e resistência, emocionando e desafiando leitores com sua forma única de declamação.
Sobre Miró da Muribeca: João Flávio Cordeiro da Silva (1960-2022) foi um poeta marginal de Jaboatão dos Guararapes (PE). Em mais de 15 livros publicados, trouxe a periferia para o centro da literatura brasileira, deixando um legado vibrante e atemporal.

Mostra de Audiovisual

Espaço: Cinema São Luiz
Homenageado: O templo do cinema no Recife
Desde sua inauguração em 1952, o Cinema São Luiz é um símbolo da resistência cultural e da paixão pelo cinema. Com arquitetura art déco e uma história rica, o espaço transcende sua função de exibição, sendo palco de festivais e encontros que celebram a identidade audiovisual nordestina.
Sobre o Cinema São Luiz: Patrimônio cultural de Pernambuco, o São Luiz é mais do que uma sala de cinema – é um espaço de memória e de futuro para a sétima arte no Brasil.

Mostra de Artes do Corpo

Artista: Lia de Itamaracá

Homenageada: A rainha da ciranda
Lia de Itamaracá é um ícone da cultura popular brasileira, reconhecida por seu papel na difusão da ciranda, uma dança tradicional do litoral nordestino. Com sua voz marcante e presença encantadora, Lia mantém viva a tradição enquanto transforma a ciranda em um ato de resistência e coletividade.

Sobre Lia de Itamaracá: Maria Madalena Correia do Nascimento, nascida em 1944, é Patrimônio Vivo de Pernambuco e uma referência da música e dança nordestina. Sua trajetória inspira gerações, fortalecendo o elo entre passado e presente.