Mostra reúne 34 obras de estudantes e presta tributo ao icônico fotojornalista Evandro Teixeira

A 14ª Bienal da UNE vai trazer um espaço de reflexão e celebração da arte fotográfica com a Mostra de Fotografia, que estará localizada no Mezanino do Centro de Convenções de Pernambuco. Sob o tema “A fotografia subversiva”, a mostra reúne 34 obras selecionadas entre mais de 70 inscrições enviadas por estudantes de todo o Brasil. O espaço ainda vai trazer um tributo ao homenageado Evandro Teixeira, um dos maiores nomes do fotojornalismo brasileiro falecido no final do ano passado. 

Segundo o coordenador da Mostra, Gabriel Jhonatta, estudante de Artes Visuais na Universidade Federal do Pará (UFPA), o objetivo da curadoria foi oferecer um espaço para narrativas visuais que rompam com as representações tradicionais da grande mídia. “Estávamos procurando fotografias que narrassem histórias, cotidianos, cultura e narrativas populares de diferentes partes do Brasil”, afirmou Gabriel.

A temática da subversão fotográfica ganha corpo em trabalhos que exploram questões sociais, culturais e religiosas frequentemente negligenciadas por galerias e espaços tradicionais de arte. Entre os destaques está a série ‘Odoyá’, da estudante Ana Pinto, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que retrata a festa de Yemanjá em Salvador, celebrada no dia 2 de fevereiro.

“Percebemos muitos trabalhos que abordam a cultura afrodescendente e rituais religiosos de matriz africana. Isso demonstra que os estudantes estão se sentindo mais à vontade para tratar temas historicamente reprimidos”, observou Gabriel. Ele destacou ainda que a Bienal é um espaço aberto para a diversidade de repertórios sociais, culturais e religiosos.

Debate sobre a Fotografia como Ato Político

Além da exposição, o evento promove no dia 31 de janeiro, às 14h, no Auditório 2 do Centro de Convenções, um debate intitulado “A fotografia subversiva”. A discussão contará com a participação de Nay Jinknss, artista e pesquisadora; Edgar Kanaykõ, cineasta, fotógrafo e antropólogo indígena; e Pablo Monteiro, fotógrafo e documentarista. 

O foco do debate será a relação entre a fotografia e as vivências culturais e territoriais de seus autores. “Na fotografia, para além da câmera e da iluminação, existe o olhar. Esse olhar é moldado pelo contexto em que o fotógrafo está inserido”, explicou Gabriel, destacando o trabalho sensível de Edgar Kanaykõ como exemplo de narrativas construídas a partir de dentro da comunidade indígena. 

A Memória e a Subversão de Evandro Teixeira

A Mostra de Fotografia também presta homenagem ao baiano Evandro Teixeira, pioneiro do fotojornalismo no Brasil, premiado e conhecido por registrar momentos marcantes da história do país, como a Passeata dos Cem Mil durante a ditadura militar.

“Evandro é subversão. Ele narrou os principais acontecimentos de seu tempo com uma abordagem semiótica única. Trazer sua obra para a Bienal é uma forma de reafirmar o papel político da fotografia e conectar as novas gerações com um legado que se confunde com a própria história do Brasil”, disse Gabriel.

A 14ª Bienal da UNE começa no dia 28 de Janeiro até 02 de Fevereiro, no Centro de Convenções de Pernambuco em Olinda (PE). A programação é extensa e vai trazer debates, Mostras de Arte Selecionadas, apresentações, shows, atos políticos e debates. 

Por Cristiane Tada