Debate do 14ª Bienal da UNE e do 16º Coneb em Recife debate alternativas para melhorar a qualidade de vida e os direitos dos trabalhadores
Nesta quinta-feira (30/1) segundo dia da 14ª Bienal da UNE e o 16º Coneb, realizados em Olinda e Recife discutiu o fim da escala 6×1, um tema crucial para a organização do trabalho e a qualidade de vida dos trabalhadores. A discussão contou com a participação da vereadora Marina César (PT) de Fortaleza, do vereador Giovani Culau (PCdoB) de Porto Alegre e de Nathália Rodrigues, CEO da Nath Finanças, que trouxeram diferentes perspectivas sobre as transformações necessárias no mundo do trabalho.
Marina ressaltou que a discussão vai além da carga horária, envolvendo justiça social e inclusão. Para ela, a redução da jornada permite redistribuir as tarefas de cuidado, historicamente assumidas por mulheres, especialmente mulheres negras. Também alertou para a precarização do trabalho jovem e defendeu a retomada do conceito de trabalho decente, destacando que essa é uma luta de classe e anticapitalista com forte impacto nas questões de gênero e raça.

Culau analisou a precarização do trabalho no Brasil, criticando a reforma trabalhista e a crise do capitalismo neoliberal, que promove a retirada de direitos e a superexploração dos trabalhadores. Ele citou casos como o dos supermercados Zaffari, onde trabalhadores chegam a trabalhar 15 dias sem folga. Defendeu que o fim da escala 6×1 pode gerar mais empregos e qualidade de vida, e convocou os estudantes para se mobilizarem por mudanças estruturais no mercado de trabalho.
Já Rodrigues apresentou uma perspectiva prática sobre a questão, compartilhando a experiência da Nath Finanças, que adotou uma escala 4×3, garantindo folgas regulares e recesso remunerado. Segundo ela, a medida não prejudicou a empresa, que cresceu 30%. Nath criticou a romantização do empreendedorismo como alternativa à CLT e defendeu a atualização da legislação para incluir novas formas de trabalho, como o remoto.
As contribuições dos participantes indicaram caminhos viáveis e inclusivos para transformar o mercado de trabalho. Com a presença ativa da UNE e dos participantes da Bienal e do Coneb, Recife se tornou palco de um diálogo fundamental sobre trabalho, direitos e justiça social.
Texto: Edwin Andrey Wapichana