Nota da entidade sobre o novo governo reafirma a necessidade de continuar a luta contra o bolsonarismo em defesa da democracia 

Na última terça-feira (06/12) os estudantes que compõe a Diretoria Executiva da UNE se reuniram para aprovar as prioridades da educação brasileira no próximo período para o próximo governo do Brasil.

O documento elenca o compromisso da UNE e entidades estudantis já apresentaram para o próximo governo em uma carta com 10 pontos para educação no Brasil. Nela os estudantes reafirmaram a luta contra o teto de gastos, pela recomposição do orçamento das Universidades, renovação da Lei de Cotas com vinculação à assistência estudantil, fim da lista tríplice nas eleições de reitoria, e a rediscussão do ensino médio, entre outras garantias. 

Leia na íntegra a nota:

A DERROTA DE BOLSONARO É A VITÓRIA DA DEMOCRACIA!

Nos últimos quatro anos, as ruas do Brasil gritaram pelo fim do governo Bolsonaro. Já em 2019, a Bienal da União Nacional dos Estudantes (UNE), realizada em Salvador, inaugurou um grande ciclo de resistência que mobilizou sobretudo a juventude e os estudantes. Os Tsunamis da Educação mobilizaram milhões de jovens no país inteiro para lutar contra os cortes nas universidades, nos institutos federais e em favor dos direitos do povo brasileiro. 

Este ciclo de retrocessos se encerrará com o fim do governo Bolsonaro, que às vésperas do término de seu mandato tenta realizar seus últimos ataques, mesmo já derrotado nas urnas. A vitória da democracia sobre o neofascismo nas últimas eleições só foi possível pela expressão das mobilizações sociais na construção da campanha de derrota de Bolsonaro, e  pela capacidade de unidade e amplitude do setor progressista contra o projeto autoritário e neoliberal liderado por Bolsonaro. A sua derrota é uma das maiores vitórias populares da história do Brasil.

Ainda assim, a UNE reafirma a necessidade de continuar a luta contra o bolsonarismo. Apesar do revés eleitoral, o bolsonarismo ainda se mantém com certa resiliência, se mostrando um movimento com capacidade de mobilização social e capilaridade eleitoral. Deter os movimentos golpistas, garantir que Bolsonaro e seus cúmplices paguem pelos seus crimes e combater ideologicamente e com mobilizações de rua o bolsonarismo é tarefa fundamental para manutenção da democracia no Brasil. 

A presença da extrema direita é sempre uma ameaça ao regime democrático, basta vermos os movimentos golpistas que desencadearam-se logo após o resultado eleitoral e que ainda se mantém, e por isso, Bolsonaro e seus cúmplices pagarem pelos seus crimes contra a vida, contra a democracia e a liberdade é fundamental para que eles não se repitam. Da mesma forma, é urgente que o conjunto de retrocessos aprovados em seu governo sejam revogados e que o orçamento secreto seja denunciado e extinto. A UNE se mobilizará e convocará a sociedade para se mobilizar por essas bandeiras.

Além disso, a vitória de Lula ajuda a garantir o fim do ciclo bolsonarista de uma política exclusiva de cortes na educação. A UNE e entidades estudantis já apresentaram uma carta com 10 pontos para educação no Brasil ao governo. Reafirmamos nossa luta contra o teto de gastos, pela recomposição do orçamento das Universidades, renovação da Lei de Cotas com vinculação à assistência estudantil, fim da lista tríplice nas eleições de reitoria, e a rediscussão do ensino médio. No próximo ciclo de lutas a UNE deve se manter ao lado dos estudantes trabalhadores, negros, LGBTs, originários e  periféricos na garantia de sua entrada e  permanência  na universidade, mas acima de tudo na construção da possibilidade de um novo saber baseado no povo. 

Agora em melhores condições devemos aprofundar os debates em torno da forma de produção de conhecimento e estruturas do nosso país com a nova cara da universidade.

Lula foi eleito com compromissos de restabelecer os investimentos em políticas sociais, educação, distribuição de renda e combate à fome. O governo nem começou e o mercado já tenta usurpar a vitória das urnas, pressionando para uma agenda de austeridade social e bonança para os banqueiros, que só esse ano lucrarão aproximadamente 700 bilhões de reais com o juros da amortização da dívida pública. Diante desse cenário, a mobilização dos estudantes será imprescindível para garantirmos que a vontade do povo, expressa nas urnas, seja respeitada. Nosso compromisso é com a defesa da democracia, e em nossas bandeiras, a luta em defesa da educação pública, dos direitos da juventude, do enfrentamento ao genocídio do povo negro e da defesa do meio ambiente, são e seguirão centrais. Este é o nosso compromisso e será também nossa luta.

6 de dezembro de 2022

Executiva da União Nacional dos Estudantes. 

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